Há 15 anos, o Centro de Referência Especializado para População em Situação de Rua (Centro Pop) atua no atendimento e acolhimento de pessoas em situação de rua em Feira de Santana. Ao longo desse período, mais de 9 mil pessoas já passaram pelo serviço, que oferece alimentação, orientação, encaminhamentos e apoio para a reconstrução de vínculos familiares e superação de situações de vulnerabilidade.
Segundo Marina Nogueira, coordenadora do Centro Pop, o trabalho desenvolvido pela equipe vai além do atendimento imediato. Ao longo dos anos, muitas pessoas conseguiram retomar o contato com familiares, acessar benefícios sociais e deixar a situação de rua.
“Muita gente conseguiu fazer com que voltasse para o vínculo familiar”, destacou a coordenadora.
Entre os serviços oferecidos estão benefícios eventuais, como auxílio para aluguel social e passagem, além de encaminhamentos para outros serviços da rede de assistência social e de saúde.

De acordo com Marina, são consideradas pessoas em situação de rua aquelas que, por diferentes motivos, perderam a moradia ou os vínculos familiares e não possuem um local adequado para residir.
A situação também pode ser temporária. Há pessoas que chegam ao município em trânsito, vindas de outras cidades ou estados, sem recursos para seguir viagem ou retornar para suas famílias.
Nesses casos, a equipe busca localizar familiares e viabilizar o retorno ao convívio familiar sempre que essa for a vontade da pessoa atendida.
O acompanhamento não necessariamente termina quando a pessoa consegue uma moradia ou supera a situação de vulnerabilidade. Segundo a coordenadora, o vínculo estabelecido com a equipe pode fazer com que algumas pessoas continuem procurando o Centro Pop.
Quando a equipe recebe informações de que determinado usuário conseguiu uma residência, a situação é registrada no prontuário para manter o histórico do atendimento e permitir a continuidade das informações entre os profissionais.
Um dos trabalhos realizados pelo Centro Pop é a tentativa de reconstrução dos vínculos familiares. A equipe pode auxiliar os usuários a realizar ligações e também buscar informações sobre parentes.
Segundo Marina, em alguns casos, a pessoa deixou a residência sem avisar a família ou perdeu o contato por não possuir telefone celular.
Além do atendimento realizado no próprio Centro Pop, a equipe conta com encaminhamentos e articulação com outros serviços da rede de assistência social e saúde.
A coordenadora também relatou que o uso de álcool e outras drogas está presente em muitos dos casos acompanhados pelo serviço.
Segundo ela, o Centro Pop não encaminha diretamente os usuários para comunidades terapêuticas, mas, quando há interesse da própria pessoa em buscar ajuda para superar o vício, a equipe fornece orientações e endereços de serviços que podem auxiliar no processo.
Na área da saúde, o Centro Pop também conta com a articulação do Consultório na Rua, que realiza atendimentos e encaminhamentos relacionados às necessidades de saúde da população em situação de rua.
Marina ressalta que a autonomia da pessoa atendida é considerada nesse processo.
O Centro Pop funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h, com intervalo para almoço. O atendimento pode ocorrer por procura espontânea ou por encaminhamento da abordagem social, dos serviços de saúde, do CREAS e dos CRAS.
A coordenadora explica que o Centro Pop não realiza diretamente o trabalho de abordagem nas ruas. Essa atividade é desempenhada pela equipe de abordagem social, que integra a rede de atendimento e pode encaminhar as pessoas para o serviço.
Atualmente, segundo Marina Nogueira, aproximadamente 1.300 pessoas estão cadastradas no Bolsa Família com caracterização de situação de rua. O número de pessoas efetivamente acompanhadas pelo Centro Pop, porém, varia devido à grande rotatividade.
Diariamente, o serviço atende entre 50 e 70 pessoas e oferece duas alimentações: um lanche pela manhã, considerado reforçado, e outro no período da tarde.
A coordenadora explica que não é possível apontar com precisão o número de usuários ativos no momento justamente por causa da movimentação constante das pessoas atendidas.
Ao completar 15 anos, o Centro Pop mantém como principal desafio garantir atendimento e assistência a uma população marcada por diferentes histórias de vulnerabilidade.
Para Marina Nogueira, cada pessoa atendida possui uma trajetória própria, e o trabalho da equipe busca oferecer caminhos para a reconstrução de vínculos, acesso a direitos e, quando possível, superação da situação de rua.
Com informações: Carlos Valadares
Por: Mayara Nailanne
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