A juíza Márcia Simões, titular da Vara do Júri de Feira de Santana, concedeu entrevista ào programa Nas Ruas e Na Policía na manhã desta quinta-feira (20) e apresentou um balanço dos nove anos à frente da unidade responsável pelos crimes dolosos contra a vida. A magistrada destacou a redução significativa no número de processos, a rotina intensa de julgamentos e os desafios que ainda persistem na segunda maior cidade da Bahia.
Márcia Simões assumiu a Vara do Júri em outubro de 2016, período em que o setor acumulava milhares de processos e diversas competências além dos homicídios. Segundo a juíza, a reestruturação promovida pelo Tribunal de Justiça — com a criação de varas especializadas e redistribuição de atribuições — foi fundamental para que o trabalho pudesse avançar.
Foto: Carlos Valadares
Com a reorganização, foi possível priorizar exclusivamente os crimes contra a vida, o que permitiu a redução gradual do acervo e maior agilidade nos julgamentos.
A magistrada também explicou que o volume de homicídios registrados na cidade exige uma rotina intensa no fórum. Atualmente, ela realiza até três júris por semana, além de audiências diárias para instrução dos processos. Em 2025, o Tribunal de Justiça ampliou o reforço com mutirões, que permitiram a realização de até cinco julgamentos semanais em Feira de Santana.
Apesar do esforço, parte da meta anual não será cumprida devido ao cancelamento de sessões, motivado por doença de advogados e réus, apresentação de atestados e situações emergenciais que impediram o andamento de algumas pautas.
Outro ponto destacado foi o aumento dos casos desaforados — processos de outras cidades enviados para julgamento em Feira por questões de segurança, repercussão ou risco de influência local.
A magistrada reforçou que o desaforamento garante julgamentos imparciais, mas ocupa espaço na agenda e acaba reduzindo o tempo disponível para casos ocorridos na própria cidade.
Durante a entrevista, Márcia Simões respondeu a uma das dúvidas mais frequentes dos ouvintes: como é feita a soma das penas anunciadas ao final dos júris. Ela explicou, de forma resumida, que o Código Penal estabelece etapas obrigatórias na fixação da pena e que o juiz segue critérios técnicos previstos em lei até chegar ao resultado final. A magistrada ressaltou que, quando há mais de um crime, as penas são somadas.
Questionada sobre processos que chegam ao júri muitos anos após o crime, a juíza afirmou que a prescrição depende de prazos legais e que o tempo pode ser suspenso em diversas situações, como quando o acusado está foragido. Por isso, mesmo após longos períodos, alguns crimes continuam aptos ao julgamento.
Ao final da entrevista, Márcia Simões reafirmou que pretende permanecer na cidade até a aposentadoria. Ela destacou o vínculo pessoal com Feira de Santana e disse que tem como meta deixar a Vara do Júri ainda mais organizada para sua sucessão.
Com informações: Nas Ruas e na Policía
Por: Mayara Nailanne
Homicídio Mulher de 30 anos é morta com mais de 15 tiros em Maria Quitéria
Espancamento Homem de 51 anos morre após sofrer agressões em Condomínio
Execução Funcionário de loja de auto peças é morto com tiros na cabeça
Homicídio Homem de 21 anos foi executado no bairro Queimadinha
Serrinha Operação São João 2026 PM faz balanço positivo na área do 16º BPM Mín. 18° Máx. 29°
Mín. 17° Máx. 26°
Chuvas esparsasMín. 18° Máx. 29°
Tempo limpo