Com informações: Caros Valadares
Por: Mayara Nailanne
Embora muitas vezes confundido com herança familiar ou apenas uma questão estética, o lipedema é uma doença inflamatória crônica, dolorosa e progressiva que afeta principalmente mulheres. O alerta é da médica ginecologista Glauce Cases, que chama atenção para os sinais do problema, ainda pouco conhecido pela população e até por parte dos profissionais de saúde.
Segundo a especialista, o lipedema passou a ter código internacional de doença apenas recentemente, o que contribui para o desconhecimento, apesar de ser estudado desde a década de 1940. “Não é só perna grossa. Trata-se de uma doença inflamatória crônica, que causa dor, inchaço desproporcional e pode estar associada a outras doenças que precisam ser investigadas”, explica. Entre elas estão a tireoidite de Hashimoto, artrite reumatoide e espondilite anquilosante.

A doença se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura, principalmente nas pernas, coxas, quadris e região do culote, podendo também atingir panturrilhas e braços. Esse acúmulo costuma vir acompanhado de dor, sensação de peso, cansaço ao longo do dia e facilidade para o surgimento de hematomas. “Muitas mulheres relatam que as pernas doem, ficam roxas com facilidade e parecem sempre inchadas”, destaca a médica.
O lipedema costuma surgir ou se intensificar em três fases da vida feminina: adolescência, gravidez e pós-parto, e menopausa. Nessas etapas, as alterações hormonais funcionam como gatilhos para o desenvolvimento da doença, especialmente pelo aumento do estradiol, hormônio feminino responsável por regular o ciclo menstrual e diversas funções do organismo.
Mesmo com atividade física regular, muitas pacientes não conseguem reduzir o volume das pernas ou dos braços. Isso ocorre porque a gordura do lipedema é diferente da gordura comum, ficando presa em fibras inflamatórias. “O exercício melhora a circulação e o bem-estar, mas não elimina esse tipo de gordura. Por isso, o tratamento precisa ir além da atividade física”, explica Glauce.
O diagnóstico é clínico e não depende de um único exame. A avaliação envolve exame físico detalhado e investigação complementar com exames laboratoriais, hormonais e inflamatórios, além de ferramentas como a bioimpedância, exame que avalia a composição corporal, e o DEXA (Absorciometria por Dupla Energia de Raios X), utilizado para medir densidade óssea e distribuição de gordura corporal. Também podem ser solicitados exames de imagem para avaliar alterações associadas.
O tratamento inclui mudanças no estilo de vida, alimentação anti-inflamatória, prática regular de atividade física, cuidados com o sono e funcionamento intestinal, reposição de vitaminas e minerais, além de terapias fisioterapêuticas e manuais. Em casos mais avançados, a cirurgia pode ser indicada como última alternativa.
Para a ginecologista, o principal recado é a importância do diagnóstico precoce. “Toda paciente que hoje está em grau avançado um dia esteve nos estágios iniciais. Quanto antes procurar ajuda, maiores são as chances de controle da doença e de melhora na qualidade de vida”, conclui.
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