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Comunidade protesta contra fechamento do Colégio Georgina Nascimento em Feira de Santana

Comunidade escolar denuncia bloqueio de matrículas e redução de turmas na rede estadual

19/01/2026 09h59
Por: Carlos Valadares
Foto: Carlos Valadares
Foto: Carlos Valadares

O possível fechamento do Colégio Estadual Georgina Soares Nascimento, em Feira de Santana, tem mobilizado professores, estudantes, lideranças comunitárias e movimentos sociais. A comunidade escolar denuncia que a unidade vem sendo gradualmente esvaziada pela Secretaria de Educação do Estado da Bahia, com bloqueio de matrículas, redução de turmas e ameaça de excedente de professores, o que, segundo os manifestantes, configura um fechamento progressivo da escola.

De acordo com o professor Claudiano da Hora, docente da unidade, o processo não é recente. “O governo do Estado já vem fechando essa escola de forma gradativa há alguns anos. Primeiro fecharam as turmas do sexto ano, depois do sétimo, oitavo e, até o ano passado, ainda tínhamos três turmas do nono ano”, afirmou. Segundo ele, em 2026 a situação se agravou quando a escola foi bloqueada no sistema de matrícula da rede estadual, impedindo a entrada de novos estudantes.

Foto: Carlos Valadares 

Além disso, três turmas do curso técnico noturno em Administração foram suspensas, e os alunos orientados a procurar outras escolas. “De um total de 30 professores, mais da metade deve ficar excedente. A escola só não fechou este ano porque, pela natureza do calendário, o governo está protelando a decisão para o próximo ano”, explicou Claudiano. A unidade, que já chegou a atender cerca de 1.200 alunos, pode iniciar o ano letivo com apenas 400 ou 500 estudantes.

Integrante do movimento estudantil de Feira de Santana, Guilherme Gonçalves afirma que a estratégia adotada pelo governo é de “sufocamento” da escola. “Não é um fechamento imediato, mas a retirada das vagas do nono ano e o bloqueio de novas matrículas fazem com que o colégio deixe de funcionar aos poucos”, disse. Ele destaca que a escola atende comunidades como Terra Dura, Feira 7 e Sítio Matias, cujos estudantes conseguem chegar a pé. “Nem todo mundo tem dinheiro para pagar transporte. Isso, na prática, pode acabar com o acesso à educação desses jovens”, alertou.

Foto: Carlos Valadares 

Guilherme também afirma que o problema se repete em outras regiões da cidade. “Diversos colégios estão sendo anunciados como fechados. Quando há transferência, os novos colégios são distantes, e não existe uma solução concreta para essa juventude”, completou.

Representando o Centro Comunitário Luz de Labor, Ivo Pedreira reforçou os impactos sociais do fechamento. “Fechar um colégio formador é andar na contramão do futuro dos nossos jovens. Trabalhamos com projetos sociais, inclusão e formação cidadã. A escola é essencial para manter esses jovens ocupados e com perspectiva de futuro”, declarou.

Foto: Carlos Valadares 

Durante o ato público, representantes da comunidade informaram que, após diálogo com a gestão educacional, houve sinalização positiva para a reabertura das matrículas do nono ano. “Já tivemos um retorno da diretoria, indicando que as matrículas serão liberadas. Isso mostra que o movimento valeu a pena”, afirmou Ivo Pedreira.

A comunidade escolar segue mobilizada e reivindica, além da liberação das matrículas, a manutenção dos cursos técnicos, a abertura de novas turmas no ensino diurno e noturno e a construção de um novo prédio escolar. Professores, estudantes e moradores afirmam que continuarão na luta para garantir que o Colégio Georgina Soares Nascimento permaneça aberto e cumprindo seu papel social.

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