Uma mulher que afirma ter sido vítima de importunação sexual dentro do próprio condomínio, em Feira de Santana, relata que ainda enfrenta dificuldades para permanecer em casa após descobrir o que havia acontecido. O caso foi percebido por uma vizinha, que identificou uma movimentação suspeita e decidiu verificar as câmeras de segurança.
Segundo a vítima, ela não sabia que estava sendo observada. A vizinha percebeu a presença do homem próximo à janela do imóvel enquanto fechava a própria janela e, diante da atitude suspeita, conferiu as imagens das câmeras. Foi então que identificou o ato praticado pelo suspeito.
A vizinha entrou em contato com a mulher para saber se ela estava em casa e contar o que havia descoberto.
“Eu fiquei em choque, indignada. Uma sensação de impotência, de não estar segura dentro da minha própria casa”, relatou a vítima.
Ela conta que jamais imaginou passar por uma situação semelhante, principalmente dentro de um condomínio, ambiente que considerava mais seguro.
“Eu estava dentro de casa e nunca imaginei que uma situação dessa pudesse acontecer. Dentro de um condomínio, a gente entende que existe uma proteção maior. Foi uma surpresa muito grande, um choque. Estou muito abalada”, afirmou.
De acordo com a vítima, as imagens mostram que o homem teria praticado o ato mesmo com a movimentação de pessoas na rua. Naquele momento, havia crianças brincando nas proximidades, além da circulação de carros e motocicletas.
“Infelizmente, nada disso intimidou ele. Ele fez da mesma forma, como se não tivesse ninguém ali. Desconsiderou qualquer pessoa, criança, tudo”, contou.
Após tomar conhecimento do ocorrido, a mulher procurou a polícia e registrou uma ocorrência. Segundo ela, foi concedida uma medida protetiva e o homem já teria sido notificado. O caso ainda deve seguir para os procedimentos de investigação e apuração.
A vítima afirma que não pretende conversar ou encontrar o suspeito.
“Eu não tenho condição nem de olhar para a cara dele. Sem condições”, declarou.
O episódio, segundo a mulher, provocou impactos emocionais que ainda permanecem. Ela afirma que está tendo dificuldades para voltar à rotina e permanecer dentro da própria residência.
“Eu ainda estou tendo dificuldade de permanecer em casa. Para mim está sendo muito difícil, porque abala muito a mente da gente. Tudo é gatilho, tudo faz a gente se desestabilizar. Ainda não estou conseguindo realmente ficar em casa e não sei como vai ser daqui para frente”, relatou.
A vítima também pretende buscar acompanhamento psicológico para lidar com as consequências emocionais do episódio.
“É necessário, porque abala muito em relação a toda a vida da gente. Tudo mexe com tudo. Realmente é uma necessidade ter um acompanhamento para ajudar na parte psicológica”, afirmou.
Mesmo diante do trauma, a mulher afirma que decidiu registrar o caso por entender que situações como essa não devem ser ignoradas.
“Algo desse tipo não pode passar despercebido. Tem que ter registro. É necessário e importante para que ele não cometa com outras pessoas também. Temos crianças, que são mais vulneráveis, então, pensando no bem-estar de todo mundo, acho que tem que registrar”, disse.
Ela também agradeceu à vizinha que percebeu a situação e verificou as imagens.
“Sou muito grata. Agradeço a Deus porque colocou essa pessoa na minha vida, que me alertou, abriu meus olhos e me tirou dessa situação. Se ela não tivesse visto e não tivesse me passado, eu não sei onde isso poderia dar”, afirmou.
Além do episódio de importunação, a vítima também relatou ter se sentido desconfortável com a forma como foi atendida inicialmente na delegacia. Segundo ela, o profissional que recebeu a ocorrência teria feito questionamentos que a fizeram se sentir julgada, mesmo diante das imagens de segurança.
“De início, a pessoa que me atendeu eu já achei errado que foi um homem. Ele questionou, colocou como se fosse uma dúvida sobre o que eu estava falando. Perguntou se eu tinha visto, mesmo tendo a imagem, mesmo tendo uma prova concreta de que tinha acontecido”, relatou.
Ainda segundo a mulher, o atendimento teria sido marcado por questionamentos sobre o que ela estava relatando e alertas de que o suspeito teria direito a um advogado.
“Eu achei muito invasiva a forma como ele falou comigo. Ficou questionando o que eu estava dizendo e falando que eu tinha que ter cuidado com o que estava falando. Acho que esse acolhimento para a vítima que chega precisa ser revisto. Ela, em vez de ser acolhida, é julgada e questionada, como se estivesse mentindo”, afirmou.
A vítima diz que já chega à delegacia emocionalmente abalada e que a forma de atendimento pode agravar ainda mais o sofrimento. “Eu já estou sofrendo, já estou abalada psicologicamente e ainda tenho que provar de todas as formas, mesmo tendo ali o vídeo e tudo. Houve muitos questionamentos e isso também me deixou muito abalada”, concluiu.
O caso segue em apuração pelas autoridades competentes. A identidade da vítima foi preservada.
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