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Polícia importunação sexual

Vítima de importunação sexual relata choque e critica atendimento recebido em delegacia de Feira de Santana

Vítima afirma que descobriu o crime após ser alertada por uma vizinha e diz que ainda enfrenta dificuldades emocionais para permanecer em casa; suspeito foi alvo de medida protetiva.

11/08/2026 07h10
Por: Carlos Valadares
Vítima de importunação sexual relata choque e critica atendimento recebido em delegacia de Feira de Santana

Uma mulher que afirma ter sido vítima de importunação sexual dentro do próprio condomínio, em Feira de Santana, relata que ainda enfrenta dificuldades para permanecer em casa após descobrir o que havia acontecido. O caso foi percebido por uma vizinha, que identificou uma movimentação suspeita e decidiu verificar as câmeras de segurança.

Segundo a vítima, ela não sabia que estava sendo observada. A vizinha percebeu a presença do homem próximo à janela do imóvel enquanto fechava a própria janela e, diante da atitude suspeita, conferiu as imagens das câmeras. Foi então que identificou o ato praticado pelo suspeito.

A vizinha entrou em contato com a mulher para saber se ela estava em casa e contar o que havia descoberto.

“Eu fiquei em choque, indignada. Uma sensação de impotência, de não estar segura dentro da minha própria casa”, relatou a vítima.

Ela conta que jamais imaginou passar por uma situação semelhante, principalmente dentro de um condomínio, ambiente que considerava mais seguro.

“Eu estava dentro de casa e nunca imaginei que uma situação dessa pudesse acontecer. Dentro de um condomínio, a gente entende que existe uma proteção maior. Foi uma surpresa muito grande, um choque. Estou muito abalada”, afirmou.

Suspeito teria agido mesmo com crianças na rua

De acordo com a vítima, as imagens mostram que o homem teria praticado o ato mesmo com a movimentação de pessoas na rua. Naquele momento, havia crianças brincando nas proximidades, além da circulação de carros e motocicletas.

“Infelizmente, nada disso intimidou ele. Ele fez da mesma forma, como se não tivesse ninguém ali. Desconsiderou qualquer pessoa, criança, tudo”, contou.

Após tomar conhecimento do ocorrido, a mulher procurou a polícia e registrou uma ocorrência. Segundo ela, foi concedida uma medida protetiva e o homem já teria sido notificado. O caso ainda deve seguir para os procedimentos de investigação e apuração.

A vítima afirma que não pretende conversar ou encontrar o suspeito.

“Eu não tenho condição nem de olhar para a cara dele. Sem condições”, declarou.

Trauma e dificuldade para permanecer em casa

O episódio, segundo a mulher, provocou impactos emocionais que ainda permanecem. Ela afirma que está tendo dificuldades para voltar à rotina e permanecer dentro da própria residência.

“Eu ainda estou tendo dificuldade de permanecer em casa. Para mim está sendo muito difícil, porque abala muito a mente da gente. Tudo é gatilho, tudo faz a gente se desestabilizar. Ainda não estou conseguindo realmente ficar em casa e não sei como vai ser daqui para frente”, relatou.

A vítima também pretende buscar acompanhamento psicológico para lidar com as consequências emocionais do episódio.

“É necessário, porque abala muito em relação a toda a vida da gente. Tudo mexe com tudo. Realmente é uma necessidade ter um acompanhamento para ajudar na parte psicológica”, afirmou.

Vítima destaca importância da denúncia

Mesmo diante do trauma, a mulher afirma que decidiu registrar o caso por entender que situações como essa não devem ser ignoradas.

“Algo desse tipo não pode passar despercebido. Tem que ter registro. É necessário e importante para que ele não cometa com outras pessoas também. Temos crianças, que são mais vulneráveis, então, pensando no bem-estar de todo mundo, acho que tem que registrar”, disse.

Ela também agradeceu à vizinha que percebeu a situação e verificou as imagens.

“Sou muito grata. Agradeço a Deus porque colocou essa pessoa na minha vida, que me alertou, abriu meus olhos e me tirou dessa situação. Se ela não tivesse visto e não tivesse me passado, eu não sei onde isso poderia dar”, afirmou.

Crítica ao atendimento na delegacia

Além do episódio de importunação, a vítima também relatou ter se sentido desconfortável com a forma como foi atendida inicialmente na delegacia. Segundo ela, o profissional que recebeu a ocorrência teria feito questionamentos que a fizeram se sentir julgada, mesmo diante das imagens de segurança.

“De início, a pessoa que me atendeu eu já achei errado que foi um homem. Ele questionou, colocou como se fosse uma dúvida sobre o que eu estava falando. Perguntou se eu tinha visto, mesmo tendo a imagem, mesmo tendo uma prova concreta de que tinha acontecido”, relatou.

Ainda segundo a mulher, o atendimento teria sido marcado por questionamentos sobre o que ela estava relatando e alertas de que o suspeito teria direito a um advogado.

“Eu achei muito invasiva a forma como ele falou comigo. Ficou questionando o que eu estava dizendo e falando que eu tinha que ter cuidado com o que estava falando. Acho que esse acolhimento para a vítima que chega precisa ser revisto. Ela, em vez de ser acolhida, é julgada e questionada, como se estivesse mentindo”, afirmou.

A vítima diz que já chega à delegacia emocionalmente abalada e que a forma de atendimento pode agravar ainda mais o sofrimento. “Eu já estou sofrendo, já estou abalada psicologicamente e ainda tenho que provar de todas as formas, mesmo tendo ali o vídeo e tudo. Houve muitos questionamentos e isso também me deixou muito abalada”, concluiu.

O caso segue em apuração pelas autoridades competentes. A identidade da vítima foi preservada.

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