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Geral Cursos de Medicina

Cerca de 30% dos cursos de Medicina serão punidos após avaliação ruim no Enamed

Mais de 100 graduações receberam notas insatisfatórias e terão restrições como corte de vagas, veto a novos alunos e suspensão do Fies; piores resultados estão em universidades municipais.

20/01/2026 05h53
Por: Carlos Valadares
Foto: Adobe Stock
Foto: Adobe Stock

Mais de 100 cursos de Medicina do país foram mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) e serão punidos pelo Ministério da Educação. Ao todo, 107 graduações obtiveram conceitos 1 e 2 — considerados insatisfatórios pelo Inep — entre os 351 cursos avaliados, o que representa cerca de 30% do total.

Do total de cursos com desempenho ruim, 24 receberam conceito 1, o menor da escala, e 83 ficaram com conceito 2. Segundo o Inep, aproximadamente 89 mil estudantes participaram da avaliação, incluindo cerca de 39 mil concluintes. Entre esses formandos, apenas 67% alcançaram resultado considerado proficiente; quase 13 mil não demonstraram conhecimento suficiente.

A análise por tipo de instituição aponta forte desigualdade nos resultados. As piores notas se concentraram nas universidades públicas municipais, onde 87,5% dos cursos ficaram nas faixas 1 e 2. Instituições privadas com fins lucrativos também tiveram desempenho fraco, com 58,4% dos cursos nesses conceitos. Já os melhores resultados apareceram nas universidades públicas federais e estaduais, onde mais de 84% dos cursos alcançaram conceitos 4 e 5.

As punições variam conforme o desempenho. Cursos com conceito 1 terão suspensão total do ingresso de novos alunos; os com conceito 2 sofrerão redução de vagas. Em ambos os casos, há suspensão do acesso ao Fies e a outros programas federais. Segundo o ministro da Educação, Camilo Santana, apenas 99 cursos sofrerão penalidades diretas, já que instituições estaduais e municipais não são geridas pelo MEC.

Na prática, oito faculdades ficarão impedidas de receber novos alunos; 13 terão redução de 50% das vagas; 33 reduzirão 25%; e 45 não poderão ampliar o número de vagas. As instituições poderão apresentar defesa. O ministro afirmou que o objetivo das medidas é garantir a qualidade da formação médica e proteger a população atendida por esses profissionais.

Em nota, a Associação Nacional das Universidades Particulares (Anup) disse que identificou divergências preliminares entre dados divulgados anteriormente e os resultados finais e que aguarda esclarecimentos técnicos do MEC e do Inep antes de se manifestar conclusivamente.

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