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Geral Carretas da Saúde

Carretas da Saúde ampliam atendimento especializado e já somam 119 unidades em todo o Brasil

Ministério da Saúde amplia atendimento especializado com 119 carretas em circulação no país; na Bahia, oito unidades já realizaram mais de 42 mil atendimentos.

25/09/2026 07h44
Por: Carlos Valadares
Foto: DIvulgação
Foto: DIvulgação

Para reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias especializadas no Sistema Único de Saúde (SUS), o Ministério da Saúde está levando atendimento para mais perto da população por meio das chamadas Carretas da Saúde. A iniciativa integra o programa Agora Tem Especialistas e já conta com 119 unidades circulando pelo país. Na Bahia, oito carretas estão em operação e já realizaram mais de 42 mil atendimentos.

Em entrevista ao programa Página de Notícias, da Rádio Sociedade, o diretor do programa Agora Tem Especialistas, Rodrigo Oliveira, explicou que as unidades móveis são uma das estratégias adotadas pelo governo federal para ampliar o acesso à atenção especializada e reduzir as filas do SUS.

Segundo ele, atualmente existem três modalidades principais de carretas em funcionamento.

A Carreta da Saúde da Mulher oferece mamografia, ultrassonografia, exames de colo do útero, consultas com ginecologista e mastologista e procedimentos como biópsias. A estrutura é voltada principalmente para a prevenção e o diagnóstico de doenças como os cânceres de mama e do colo do útero.

A segunda modalidade é a Carreta de Exames de Imagem, equipada com tomógrafo e estrutura para realização de exames de ultrassonografia. Já a terceira é a Carreta de Oftalmologia, que oferece consultas e exames oftalmológicos e também realiza cirurgias de catarata quando há indicação.

De acordo com Rodrigo Oliveira, novas modalidades devem ser incorporadas ao programa. A previsão é de lançamento de carretas voltadas para saúde bucal e cardiologia.

Bahia já recebeu oito carretas

Na Bahia, o programa conta atualmente com oito unidades: cinco voltadas à saúde da mulher, duas para exames de imagem e uma de oftalmologia. Segundo o Ministério da Saúde, mais de 14 mil pessoas já foram atendidas no estado, totalizando mais de 42 mil procedimentos.

As carretas já passaram por municípios como Alagoinhas, Barreiras, Brumado, Eunápolis, Feira de Santana, Ibotirama e Ilhéus, entre outras cidades.

Em Feira de Santana, duas modalidades já estiveram em funcionamento. Uma das carretas, voltada à saúde da mulher, atendeu mais de 500 pessoas. Outra, destinada à realização de exames de imagem, também atendeu mais de 500 pacientes, incluindo moradores de municípios da região.

Por ser um importante polo regional de saúde, Feira de Santana recebe pacientes de diversas cidades do entorno, o que amplia o alcance da estratégia.

Como os municípios são escolhidos

Rodrigo Oliveira explicou que a definição das cidades que recebem as carretas ocorre a partir das demandas apresentadas pelos municípios e estados.

O processo começa nas reuniões regionais que reúnem gestores municipais e estaduais de saúde. As solicitações são encaminhadas ao Ministério da Saúde, que organiza a distribuição das unidades pelos estados.

A programação de circulação é posteriormente definida pelas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, levando em consideração fatores como a necessidade de atendimento, o tamanho das filas e a estrutura da rede assistencial existente em cada região.

Sobre um possível retorno das carretas a Feira de Santana, Rodrigo Oliveira afirmou que existe a expectativa de uma nova passagem pelo município no primeiro trimestre do próximo ano. O calendário, entretanto, ainda depende do planejamento conjunto entre a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e as secretarias municipais.

Objetivo é acelerar as filas

O diretor do Agora Tem Especialistas destacou que a proposta das carretas não é necessariamente zerar as filas, mas fazer com que elas avancem mais rapidamente.

Segundo Oliveira, a demanda por atendimento especializado é permanente, já que novos pacientes chegam diariamente à rede pública. Por isso, o objetivo é reduzir o tempo de espera e aproximar os serviços especializados das regiões que apresentam maior necessidade.

Ele também relacionou o aumento da demanda ao envelhecimento da população brasileira e aos impactos provocados pela pandemia de Covid-19. Durante o período mais crítico da pandemia, parte da rede de saúde precisou ser direcionada para o atendimento dos pacientes infectados, o que contribuiu para o represamento de procedimentos considerados eletivos.

O governo federal afirma que, desde 2023, vem ampliando a oferta de procedimentos especializados e que o programa Agora Tem Especialistas representa uma das estratégias para enfrentar esse cenário.

Expansão da atenção especializada

Na avaliação de Rodrigo Oliveira, a ampliação dos serviços especializados também acompanha mudanças demográficas no país. Com o aumento da expectativa de vida, cresce a demanda por atendimentos relacionados a doenças cardiovasculares, problemas oftalmológicos, ortopedia e outras condições que exigem acompanhamento especializado.

Além das carretas, o programa envolve outras estratégias de ampliação da oferta de consultas, exames e cirurgias.

Durante a entrevista, Oliveira destacou ainda o aumento no número de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS nos últimos anos. Segundo os números apresentados por ele, o volume passou de cerca de 10 milhões de procedimentos em 2022 para aproximadamente 15 milhões posteriormente.

SUS completa 36 anos

Ao comentar os 36 anos do Sistema Único de Saúde, Rodrigo Oliveira citou avanços como a ampliação da expectativa de vida da população brasileira, o sistema público de transplantes, as políticas de imunização e a expansão da Estratégia Saúde da Família.

O diretor também defendeu que os investimentos em saúde sejam vistos não apenas como despesas públicas, mas como parte do desenvolvimento econômico e tecnológico do país.

Apesar dos avanços, Oliveira reconheceu que ainda existem desafios para garantir que a população tenha acesso a atendimento especializado em tempo adequado em todas as regiões brasileiras.

O programa Agora Tem Especialistas, segundo ele, busca justamente ampliar essa oferta por meio da articulação entre o Ministério da Saúde, os governos estaduais e as administrações municipais.

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