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Entre cliques e memórias: o fotógrafo que ajudou a contar a história de Feira de Santana

A notificação nº 520/2026 estabelece prazo máximo de 72 horas, a contar do recebimento do documento

18/09/2026 06h32
Por: Carlos Valadares
Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

Antes dos celulares transformarem qualquer pessoa em fotógrafa, registrar um momento especial dependia de profissionais que carregavam suas câmeras pelas ruas. Em Feira de Santana, a tradicional Praça do Lambe-Lambe foi durante décadas um dos principais cenários dessa história.

Foi nesse universo que Carlos Alberto construiu sua trajetória.

A fotografia começou quase por acaso. Ele conta que fazia algumas imagens do próprio filho quando recebeu um convite inesperado para fotografar um homem em um bar. Sem sequer saber quanto cobrar, fez o trabalho. As fotos agradaram, o cliente voltou e, pouco a pouco, novos pedidos apareceram.

O que começou como uma experiência se transformou em profissão. Carlos investiu em equipamentos profissionais e passou a ser procurado para diferentes tipos de trabalhos. As indicações fizeram a clientela crescer e a fotografia se tornou também o sustento da família.

Uma história ligada ao Lambe-Lambe

Carlos viveu de perto o período em que a fotografia de rua era uma prática comum em Feira. Na Praça do Lambe-Lambe, aperfeiçoou o trabalho e dividiu espaço com outros profissionais que, assim como ele, ajudaram a registrar momentos importantes da população.

Foram anos de movimento, encontros e muitos retratos.

Mas o avanço da tecnologia mudou o cenário. Com câmeras digitais e celulares cada vez mais sofisticados, a procura pelos fotógrafos diminuiu.

Celular hoje realmente é covardia, porque tem celular muito bom, faz muita foto boa”, brinca Carlos.

A mudança também atingiu a revelação das imagens. Se antes era comum procurar um fotógrafo para registrar e revelar uma fotografia, hoje grande parte delas permanece armazenada no celular.

Mesmo assim, Carlos continua fotografando.

Eu estou naquele lance assim, igual jogador de futebol, nunca para de jogar. Eu sei que caiu bastante, mas eu gosto do que faço.

E ainda guarda parte dessa história. Em seu acervo, existem fotografias antigas de pessoas que, muitas vezes, nem sabem que seus retratos continuam preservados.

Para ele, esse material poderia ganhar um novo destino: uma exposição dedicada às antigas fotografias e aos fotógrafos que ajudaram a construir a memória visual de Feira de Santana.

Aos 193 anos da cidade, a história de Carlos Alberto mostra que Feira também pode ser contada pelos rostos registrados atrás das lentes. Fotografias que atravessaram décadas e que continuam revelando uma cidade que mudou, mas não esqueceu suas memórias.

Produção e texto: Mayara Nailanne 

Reportagem: Yasmin Mota 

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