Oito advogados foram presos nas primeiras horas da manhã desta sexta-feira (3) durante a Operação Sintonia de Gravata, deflagrada de forma integrada pelo Ministério Público da Bahia (MPBA), pelas Secretarias de Segurança Pública (SSP) e de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap), além da Polícia Civil. A ação tem como objetivo desarticular um esquema criminoso que permitia a comunicação entre lideranças de facções presas em unidades de segurança máxima e integrantes em liberdade.
Ao todo, foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos. Além dos oito advogados, outras 12 ordens judiciais foram executadas contra detentos que já estavam custodiados no sistema prisional. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Salvador, Feira de Santana, Barreiras, Serrinha, Lauro de Freitas e Camaçari.
Segundo as investigações, os grupos criminosos atuavam no tráfico de drogas, aquisição e circulação de armas de fogo e mantinham uma estrutura organizada para garantir que ordens continuassem sendo transmitidas mesmo com as principais lideranças presas.
Durante o cumprimento das medidas judiciais, as equipes apreenderam notebooks, celulares e diversos documentos que serão analisados para aprofundar as investigações e identificar possíveis novos envolvidos no esquema.
A Justiça também determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados. As medidas incluem a indisponibilidade de recursos até o limite de R$ 10 milhões, além do bloqueio de veículos, imóveis, embarcações e aeronaves, com o objetivo de impedir a movimentação de patrimônio supostamente vinculado às atividades criminosas.
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), do MPBA, a investigação revelou que as facções mantinham um sofisticado sistema de comunicação clandestina, permitindo que chefes presos continuassem administrando o tráfico de drogas, a compra e distribuição de armas, a movimentação financeira e até a resolução de conflitos internos das organizações criminosas.
Os promotores afirmam que parte desse esquema contava com a participação de advogados que, segundo a investigação, teriam se aproveitado das prerrogativas da profissão para burlar as regras de isolamento impostas em presídios de segurança máxima. Os profissionais são suspeitos de atuar como intermediários na transmissão de mensagens entre líderes presos e integrantes das facções em liberdade, garantindo a continuidade das atividades criminosas.
A operação mobilizou mais de 100 profissionais, entre promotores de Justiça, policiais civis, servidores do Ministério Público e integrantes do Gaeco, do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento de Polícia do Interior (Depin), além de equipes da Seap e da SSP.
A Operação Sintonia de Gravata integra uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), do Ministério Público brasileiro, que reúne ações simultâneas em diversos estados para intensificar o combate às facções criminosas e às estruturas responsáveis por manter suas atividades mesmo a partir do sistema prisional.
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