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Polícia operação contra facç

MP deflagra operação contra facções em presídios baianos

Ação integrada cumpre prisões e bloqueia bens de investigados por tráfico, armas e comunicação entre detentos e criminosos em liberdade

03/07/2026 09h05
Por: Carlos Valadares
Foto: MP da Bahia
Foto: MP da Bahia

Uma operação integrada do Ministério Público da Bahia (MPBA), das Secretarias de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) e de Segurança Pública (SSP), além da Polícia Civil, foi deflagrada na manhã desta sexta-feira (3) para combater facções criminosas que atuam a partir do sistema prisional. Batizada de "Sintonia de Gravata", a ação resultou no cumprimento de 22 mandados de prisão preventiva em seis municípios baianos.

Além das prisões, as equipes cumpriram 15 mandados de busca e apreensão em Salvador, Camaçari, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Serrinha e Barreiras. Durante a operação, foram recolhidos celulares, notebooks e documentos que poderão auxiliar na continuidade das investigações.

A apuração identifica a atuação de organizações criminosas envolvidas com tráfico de drogas, compra e circulação de armas de fogo e a manutenção da comunicação entre líderes presos e integrantes em liberdade. A Justiça também determinou o bloqueio de bens e ativos financeiros dos investigados, até o valor mínimo de R$ 10 milhões, incluindo imóveis, veículos, embarcações e aeronaves, para impedir a movimentação de recursos provenientes das atividades ilícitas.

Segundo o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), as investigações revelaram que as facções mantinham uma estrutura organizada e hierarquizada, capaz de continuar operando mesmo com seus principais líderes recolhidos em presídios de segurança máxima. As ordens eram transmitidas por meio de um núcleo externo responsável por intermediar a comunicação entre detentos e integrantes que permaneciam em liberdade.

Os promotores apontam ainda a participação de advogados suspeitos de utilizar indevidamente as prerrogativas da profissão para romper o isolamento imposto às lideranças criminosas. De acordo com a investigação, esses profissionais teriam atuado como intermediários na transmissão de mensagens, permitindo que chefes das facções continuassem administrando o tráfico, a circulação de armamentos, a movimentação financeira e decisões internas das organizações.

A operação mobilizou mais de 100 integrantes entre promotores de Justiça, servidores e agentes das forças de segurança. Participaram equipes do Gaeco, do Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico (Denarc), do Departamento de Polícia do Interior (Depin), além de efetivos da Seap e da SSP. A ação faz parte de uma mobilização nacional coordenada pelo Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que busca intensificar o enfrentamento às facções em todo o país.

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