O Museu de Arte Contemporânea Raimundo de Oliveira (MAC) recebe até o dia 3 de maio a exposição Aspectos do Espectro – Mostra Coletiva Autista, iniciativa que reúne artistas autistas de diferentes regiões do país e propõe ampliar o debate sobre inclusão, representatividade e compreensão do autismo.
Integrando a programação do mês de conscientização sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA), a mostra aposta na arte como ferramenta de diálogo e visibilidade, destacando a diversidade de experiências dentro do espectro.
Coordenada pelo produtor cultural e roteirista Marcos Franco, a exposição nasceu com proposta local, mas ganhou dimensão nacional após mobilização em redes sociais. O resultado é uma coletiva com artistas de seis estados, reunindo trabalhos que transitam entre artes visuais, literatura e música.
Mais do que apresentar obras, a iniciativa busca romper estigmas ainda associados ao autismo. O TEA é uma condição do neurodesenvolvimento marcada por diferenças na comunicação, comportamento e interação social, com níveis variados de suporte, e não deve ser entendido como doença.
Natural de Feira de Santana, Marcos Franco construiu trajetória ligada à valorização da cultura nordestina e das histórias em quadrinhos, com reconhecimento em premiações nacionais. Após o diagnóstico tardio de autismo, passou a incorporar o tema de forma mais direta em sua atuação cultural.
Segundo ele, a escolha do período de realização da mostra é estratégica para aproveitar a visibilidade do tema e ampliar o debate público. “Não temos o que celebrar, mas o que conscientizar. É preciso quebrar paradigmas e discutir inclusão real, inclusive no mercado de trabalho”, afirmou.
A exposição reúne exclusivamente artistas dentro do espectro, reforçando o protagonismo autista e evidenciando que não há um único perfil. As obras abordam desde aspectos sensoriais e subjetivos até experiências com preconceito e invisibilidade, especialmente em casos menos perceptíveis socialmente.
Inicialmente pensada para artistas locais, a mostra se expandiu e passou a refletir múltiplas realidades, evidenciando o potencial criativo e a capacidade de produção de pessoas autistas. “Antes de julgar, é preciso conhecer. O autismo é uma deficiência, não uma doença”, destacou o coordenador.
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