Cerca de 11 anos após a saída das empresas de ônibus Princesinha e 18 de Setembro de Feira de Santana, aproximadamente 1.100 ex-funcionários ainda aguardam o pagamento de direitos trabalhistas. Mesmo com decisões judiciais favoráveis, a maior parte dos trabalhadores afirma nunca ter recebido os valores devidos.
Um dos ex-rodoviários, Renato Bispo, relata que a situação permanece sem avanços desde o encerramento das atividades das empresas. “Parece que foi ontem, porque nada mudou. Continuamos sem receber nossos direitos. A Justiça já deu a causa como ganha, mas até hoje não recebemos”, afirmou.

Segundo ele, a principal reivindicação do grupo é justamente a execução dessas decisões judiciais. “São 11 anos de um dinheiro que é nosso, parado. A gente segue lutando para receber”, disse.
Renato também critica a atuação do sindicato da categoria, que, de acordo com ele, não tem conseguido dar suporte aos trabalhadores. “O sindicato não tem resposta para a gente. Está tão perdido quanto nós. Não tem representante aqui, não acompanha de perto a situação”, declarou.
Dos cerca de 1.200 trabalhadores afetados, apenas uma pequena parcela conseguiu receber algum valor. “Aproximadamente 10% receberam cerca de 10% do que tinham direito. A grande maioria continua sem nada”, explicou.

As empresas, segundo os ex-funcionários, deixaram a cidade de forma repentina, alegando falência. Desde então, não há clareza sobre o destino dos bens deixados, como ônibus e outros ativos. “Elas foram embora da noite para o dia. Ficaram sucatas, veículos, mas ninguém sabe o que foi feito. A gente quer entender por que não fomos pagos”, questionou.
Sobre a atuação do poder público, Renato afirma que não houve avanços concretos. Ele relata que, à época, o então prefeito Zé Ronaldo chegou a receber os trabalhadores, mas afirmou não ter competência legal para resolver a situação sem decisão judicial que responsabilizasse o município.
O grupo também buscou apoio do Ministério Público, mas, segundo os trabalhadores, foi informado de que os processos já haviam sido encaminhados à Justiça comum e que não há mais atuação direta do órgão. “Disseram que está tudo no fórum, mas o processo está parado”, contou.
Enquanto isso, a situação financeira de muitos ex-funcionários se agravou ao longo dos anos. Renato destaca que há casos de trabalhadores em condições de extrema vulnerabilidade. “Tem colegas passando necessidade, pessoas doentes, em cadeira de rodas, sem ter como se manter”, relatou.
Além disso, ele denuncia dificuldades de reinserção no mercado de trabalho local. “Existe um monopólio no transporte. Nem todos conseguem voltar a trabalhar. Tem gente que não consegue emprego nas empresas que operam hoje”, afirmou.
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