O governador Jerônimo Rodrigues autorizou, na manhã desta quinta-feira (27), a celebração do convênio para a construção do Hospital Baiano de Oncologia, que funcionará em Feira de Santana. O acordo, firmado entre a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e a Santa Casa de Misericórdia do município, prevê a ampliação significativa da rede especializada de tratamento oncológico na região centro-norte do estado.
A cerimônia ocorreu no terreno onde o hospital será implantado e reuniu representantes do governo estadual, Ministério da Saúde, Prefeitura de Feira de Santana, parlamentares, empresários e membros da sociedade civil.

Durante o evento, o governador Jerônimo Rodrigues afirmou que a construção do novo hospital representa um avanço fundamental na luta contra o câncer na Bahia.“O Hospital Baiano de Oncologia vai atender aqui mais de 70 municípios. Hoje a Santa Casa e o Hospital Dom Pedro já fazem esse trabalho, mas queremos ampliar essa condição. Esta é uma agenda de enfrentamento ao câncer, no Brasil e na Bahia.”
Jerônimo destacou ainda o caráter preventivo da iniciativa.“A prevenção do câncer é isso: poder fazer exames antes, encontrar a doença no início e tratar o quanto antes. É um investimento alto, mas necessário.”
O governador reforçou que a obra resulta de uma união entre diferentes forças políticas e sociais.“Aqui não tem negócio de partido. É uma agenda para cuidar das pessoas mais pobres. Quem tem dinheiro tem plano de saúde; quem não tem, precisa do SUS. Esta obra me realiza profundamente.”

Jerônimo lembrou ainda que a causa tem forte dimensão pessoal.“Perdi meu pai, minha irmã mais velha e um sobrinho para o câncer. Sei o que essa doença causa dentro de casa. Por isso vou até a última hora pegar na mão da Santa Casa, de Zé Ronaldo, de quem for preciso para realizar este hospital.”
A primeira etapa da obra está orçada em cerca de R$ 91 milhões, podendo chegar a R$ 120 milhões com equipamentos e complementações. O governador afirmou que há tratativas com o Ministério da Saúde para ampliar o investimento inicial e acelerar a entrega.
Segundo ele, o prazo previsto para conclusão é de 24 meses, com possibilidade de redução para 20 meses, o que colocaria a entrega da unidade no ano de 2027.
O hospital será entregue com:
mais de 20 leitos de UTI;
mais de 70 leitos de enfermaria;
centro de bioimagem;
centro cirúrgico com seis salas;
possibilidade de expansão para 220 leitos em pouco tempo.
Equipamentos de alta complexidade, como aceleradores lineares, serão incorporados gradualmente. O Ministério da Saúde já confirmou o envio de um dos aceleradores, segundo o governador.
A obra é fruto de um esforço conjunto que envolveu entidades públicas, parlamentares e o setor produtivo. Jerônimo citou a importância da Missão Brasília, organizada por empresários e lideranças de Feira de Santana, que levou a pauta ao Ministério da Saúde.
“Essas marchas não são à toa. Houve uma pressão sobre o governo do estado. A bancada federal colocou recursos, a Santa Casa buscou parceria, e os empresários se comprometeram até a adotar leitos”, afirmou o governador.

O deputado federal Zé Neto, um dos articuladores, destacou sua participação no projeto.“Essa ideia é cara, mas necessária. Já destinei mais de R$ 10 milhões em emendas só para este hospital. Feira e a Bahia precisam dessa estrutura, que será o segundo hospital geral do câncer do estado.”

O presidente do CDL, Juscelino Brito, reforçou o papel do empresariado.“A Missão Brasília não foi política. Mais de 300 empresários deixaram seus negócios para lutar por pautas importantes. A instalação desse hospital é fruto direto daquela mobilização.”
Juscelino Brito, destacou que o movimento é fruto da cooperação entre diferentes segmentos.“Aqui vemos a sociedade civil unida, empresários, governo e prefeitura pensando no bem comum. Feira precisava dessa obra, que vai reduzir deslocamentos e melhorar a qualidade de vida de milhares de pacientes.”

O secretário de Saúde do Estado, Rodrigo Matos, ex-provedor da Santa Casa, ressaltou a importância histórica da obra.“Ao lado da construção do Hospital Dom Pedro, esta é a maior obra dos 166 anos da Santa Casa. Será apenas o segundo hospital especializado em câncer na Bahia, o primeiro no interior, e já nasce forte. É algo monumental.”
Rodrigo lembrou ainda que a prefeitura de Feira de Santana participará do custeio, essencial para a sustentabilidade da unidade.“É uma obra feita com várias mãos: governo do estado, governo federal, prefeitura, bancada federal, sociedade civil.”

O deputado estadual Robson Almeida destacou que a nova unidade terá alcance estadual.“Hoje só temos o Hospital Aristides Maltez como referência exclusiva em oncologia. Este será o segundo hospital desse tipo. Vai desafogar Salvador e oferecer atendimento digno aos moradores do interior.”
Segundo ele, o hospital enfrentará uma demanda crescente, já que o câncer permanece entre as principais causas de internação e morte no país.
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