A escalada da violência contra a mulher em todo o Brasil é um dos alertas contidos no novo relatório da Anistia Internacional. A organização reúne dados de diferentes fontes sobre assuntos ligados aos direitos humanos e nos números do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, encontrou uma realidade que se agrava ano após ano.
Quatro mulheres foram mortas por dia no Brasil no primeiro semestre de 2022. Foram 699 feminicídios só até a metade do ano. Um aumento de mais de 3% em relação ao mesmo período de 2021. E quase 11% a mais do que no primeiro semestre de 2019.
O mesmo recorte aponta que 62% das mulheres vítimas de feminicídio no país são negras. E a violação aos direitos humanos da população negra, sejam mulheres ou homens, aparece ainda em outros pontos do relatório da Anistia Internacional. É a que mais morre em confrontos com a polícia e a mais afetada por eventos climáticos extremos. Para Jurema Weneck, diretora-executiva da Anistia, é preciso um trabalho envolvendo governo e Justiça para que haja mudança nesse quadro.
“Isso fala, na verdade, de que o racismo não foi enfrentado como deve. O Estado e os governos, o sistema de Justiça e o Congresso não interpuseram ferramentas para proteger a vida das pessoas negras. É preciso que se faça diferente em 2023 para que a gente não repita esse 2022 onde o racismo venceu infelizmente”, alerta Jurema.
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