Com décadas dedicadas à poesia e à cantoria, o repentista Ceará mantém uma relação histórica com a Exposição Agropecuária de Feira de Santana. Segundo ele, sua primeira apresentação no evento aconteceu em 1986, quando ainda iniciava a carreira.
Na ocasião, após sua apresentação, Ceará conta que teve a oportunidade de dividir o palco com Luiz Gonzaga, em uma das últimas apresentações do Rei do Baião em Feira de Santana.
“Quando nós descemos do palco, Luiz Gonzaga ia subindo. Ele disse: ‘não desce ninguém, vai lá pro palco com a gente’. Nós ficamos até terminar o show dele. Que saudade boa”, relembrou.
Ceará afirma que é poeta desde 1966 e defende que a capacidade de improvisar versos é um dom que não pode ser ensinado apenas pela técnica.
“Ser violeiro, repentista, poeta, o cara nasce com isso. É dom. Sem o dom de poeta, você não é poeta em canto nenhum. A escola do violeiro é Deus”, declarou.
Durante a entrevista, o repentista também improvisou versos para a Página de Notícias, destacando a característica espontânea da cantoria.
Ceará também lamentou o que considera uma redução do espaço destinado à cultura popular e aos festivais de violeiros em Feira de Santana. Ele recordou grandes festivais realizados na cidade e afirmou que, atualmente, as apresentações estão cada vez mais curtas.
“Nós estamos desprestigiados da cultura em Feira. Eu lembro dos festivais de violeiros que eram feitos aqui. Hoje estão fazendo com quatro, três duplas de fora, e os daqui ficam lá fora”, criticou.
Segundo o repentista, a falta de incentivo contrasta com experiências que ele vivenciou em outros estados. Ele citou uma participação recente em eventos no Tocantins, onde, segundo seu relato, recebeu apoio do poder público com despesas de transporte, hospedagem e alimentação.
“Lá o governo sabe o que é cultura, gosta da cultura e ajuda”, afirmou.
Ceará também comparou os atuais festivais realizados em Feira com eventos de outras regiões. Ele citou um festival em Teresina, no qual participou de uma competição com 52 duplas durante dois dias.
“Aqui é meia hora só de festival. É uma saudade dos festivais de violeiro que se faziam aqui”, lamentou.
Mesmo diante das dificuldades, Ceará mantém a defesa da cantoria e da poesia popular e destaca a importância de preservar espaços para os artistas que ajudam a manter viva a tradição cultural nordestina.
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