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Geral Hospital da Mulher

Hospital da Mulher realiza até 70 mil atendimentos por mês, lidera número de partos na Bahia e reforça assistência regional

Complexo Materno-Infantil atende pacientes de Feira de Santana e de mais de 80 municípios, investe em parto humanizado, planejamento familiar e mantém estrutura financiada majoritariamente com recursos do município

06/08/2026 10h12
Por: Carlos Valadares
Foto: Carlos Valadares
Foto: Carlos Valadares

O Hospital Inácia Pinto dos Santos (Hospital da Mulher), em Feira de Santana, consolidou-se como uma das maiores referências em saúde materno-infantil da Bahia. Integrante do Complexo Materno-Infantil administrado pela Fundação Hospitalar de Feira de Santana, a unidade realiza entre 60 mil e 70 mil atendimentos por mês, registra até 500 partos mensais e atende pacientes de 82 municípios pactuados, tornando-se a maternidade que mais realiza partos no estado.

Durante visita de jornalistas ao hospital, o presidente da Fundação Hospitalar de Feira de Santana, Gilberte Lucas, destacou que o complexo vai muito além da assistência ao parto.

"Hoje não estamos falando apenas de uma maternidade. O Complexo Materno-Infantil atende Feira de Santana e uma grande região. Além da emergência obstétrica, oferecemos atendimento pediátrico, saúde da mulher, acompanhamento no pós-parto, consultas especializadas, exames e uma assistência completa. Essa visita teve como objetivo mostrar nossos indicadores e a importância desse serviço para toda a região", afirmou.

Segundo Gilberte Lucas, o Hospital da Mulher funciona em regime de porta aberta para as gestantes de Feira de Santana, que são encaminhadas pela Atenção Básica quando necessitam de atendimento de urgência e emergência.

Já os pacientes dos demais municípios devem ser encaminhados por meio da Central Estadual de Regulação. No entanto, o gestor explica que, diante da deficiência da oferta de serviços obstétricos em algumas cidades, muitas gestantes chegam espontaneamente à unidade.

"Sabemos da necessidade desses municípios e, por se tratar de urgência e emergência, muitas pacientes chegam sem regulação e acabam sendo atendidas. Nossa prioridade é preservar a vida da mãe e do bebê", ressaltou.

A presidente da Fundação Hospitalar informou ainda que o complexo realiza, mensalmente, entre 60 mil e 70 mil atendimentos, incluindo consultas médicas, exames laboratoriais, exames de imagem e atendimentos especializados.

Maior maternidade da Bahia

O diretor médico do Hospital da Mulher, Vinicius Marques, destacou que o volume de atendimentos coloca a unidade como a maternidade que mais realiza partos na Bahia.

"Realizamos entre cinco mil e seis mil exames e atendimentos por mês apenas em algumas áreas da assistência e, dependendo do período, chegamos a cerca de 500 partos mensais. Hoje somos a maternidade que mais faz partos na Bahia, inclusive à frente de unidades localizadas em Salvador", afirmou.

Além dos atendimentos obstétricos e pediátricos de urgência e emergência, a unidade oferece consultas ambulatoriais, atendimento ginecológico, exames laboratoriais e de imagem, além de ações voltadas à saúde da mulher e à saúde do homem.

"Nosso diferencial é oferecer uma assistência multiprofissional dentro do serviço público, reunindo diversas especialidades e garantindo atendimento de qualidade à população", destacou o diretor médico.

Apesar de atender pacientes de dezenas de municípios baianos, a manutenção do Complexo Materno-Infantil depende, principalmente, dos cofres da Prefeitura de Feira de Santana.

De acordo com Gilberte Lucas, 85% dos recursos utilizados para manter a unidade são provenientes do orçamento municipal.

"O restante vem da produção SUS, mas os valores pagos pela tabela são insuficientes para manter uma estrutura desse porte. Uma consulta com neuropediatra, por exemplo, é remunerada em torno de R$ 11. Um parto recebe cerca de R$ 530. É impossível manter esse serviço apenas com esses recursos. O aporte da Prefeitura é fundamental", explicou.

Hospital fortalece incentivo ao parto normal

Outro destaque da unidade é o investimento no parto humanizado e no incentivo ao parto normal, seguindo as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS).

A responsável técnica pelo Serviço de Ginecologia e Obstetrícia, Andrea Alencar, informou que atualmente cerca de 55% dos partos realizados na unidade ainda são cesarianas, índice considerado elevado.

"O ideal é reduzir esse percentual. Por isso, temos uma estrutura voltada para estimular o parto normal e garantir segurança para mãe e bebê", afirmou.

Segundo a médica, o hospital possui dois centros obstétricos com funções distintas. O Centro Obstétrico 1 atende pacientes de maior complexidade, que necessitam de intervenção médica ou cesariana. Já o Centro Obstétrico 2 é dedicado ao parto natural, acompanhado por enfermeiras obstétricas.

"Caso seja necessária qualquer intervenção médica durante o trabalho de parto, o médico está dentro da unidade e atua imediatamente. Nosso foco é oferecer um parto natural seguro e humanizado", explicou.

Cesariana sem indicação aumenta riscos

Andrea Alencar destacou que ainda existe uma forte resistência cultural ao parto normal no Brasil, o que contribui para o elevado número de cesarianas.

"Grande parte dessa resistência poderia ser reduzida com mais orientação durante o pré-natal. Muitas mulheres desconhecem que a cesariana é uma cirurgia de grande porte e apresenta riscos maiores que o parto normal quando não há indicação clínica", afirmou.

Entre os riscos, a especialista cita maior probabilidade de infecções, hemorragias, complicações no pós-parto, maior tempo de internação e riscos anestésicos.

"O parto normal acontece de forma fisiológica e proporciona uma recuperação muito mais rápida para a mãe, além de benefícios importantes para o bebê", ressaltou.

Planejamento familiar ajuda a reduzir abortos

Outro tema abordado durante a visita foi a prevenção da gravidez não planejada e dos abortos inseguros.

Desde 2019, o Hospital da Mulher mantém um ambulatório especializado em prevenção da gravidez na adolescência, atualmente integrado ao Ambulatório de Saúde da Mulher.

Segundo Andrea Alencar, o planejamento familiar é uma das principais estratégias para reduzir os casos de abortamento provocado.

"A maioria dos abortos provocados está relacionada a uma gravidez não planejada. Por isso investimos em orientação, educação e acesso aos métodos contraceptivos de longa duração, como DIU, Mirena e Implanon. Nosso trabalho nessa área começou antes mesmo da ampliação dessa política pelo Governo Federal", explicou.

A médica alertou que o aborto inseguro continua sendo uma das principais causas de mortalidade materna no país.

"Quando uma mulher recorre a um aborto ilegal, ela coloca a própria vida em risco. As infecções decorrentes desses procedimentos ainda estão entre as principais causas de morte materna. A informação e o planejamento familiar são as melhores formas de prevenir essa realidade", concluiu.

Com números expressivos de atendimento, assistência especializada e investimentos permanentes na qualificação dos serviços, o Hospital da Mulher reafirma seu papel como uma das mais importantes unidades de saúde pública da Bahia, sendo referência para Feira de Santana e dezenas de municípios da região.

Por: Mayara Nailanne 

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