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Polícia Justiça

Júri de acusado pela morte da biomédica grávida de 9 meses acontece nesta quinta-feira em Feira de Santana

Quatro anos após o crime que chocou Santo Estêvão, família de Jéssica Regina Macedo do Carmo espera condenação do acusado: “A gente só quer justiça”

20/07/2026 09h39
Por: Carlos Valadares
Foto: Redes sociais
Foto: Redes sociais

Mais de quatro anos após um dos crimes de maior repercussão registrados em Santo Estêvão, será realizado nesta quinta-feira, no Fórum Filinto Bastos, em Feira de Santana, o Tribunal do Júri de George Passos Santana, conhecido como George Breu, acusado de matar a biomédica Jéssica Regina Macedo do Carmo, de 30 anos, que estava grávida de nove meses.

O crime ocorreu no dia 5 de fevereiro de 2022, na residência do casal, localizada na Avenida Sítio Aragão, em Santo Estêvão. Jéssica foi atingida por um disparo de arma de fogo nas costas. Socorrida pelo próprio companheiro ao Hospital Municipal Doutor João Borges de Cerqueira, ela chegou a passar por um parto de emergência, mas não resistiu aos ferimentos. O bebê, que receberia o nome de Heitor e estava prestes a nascer, também morreu.

Na época, George Passos Santana se apresentou à Delegacia Territorial de Santo Estêvão e afirmou que o disparo teria sido acidental. A versão, no entanto, sempre foi contestada pela família da vítima e passou a ser investigada pela Polícia Civil. Cerca de um mês depois do crime, ele foi preso preventivamente e permanece à disposição da Justiça.

À época do crime, George Breu era ex-vereador e exercia a função de chefe de gabinete da Prefeitura de Santo Estêvão.

Família contestou versão apresentada pelo acusado

Desde o início das investigações, familiares de Jéssica levantaram dúvidas sobre a versão de acidente apresentada pelo acusado.

Segundo parentes, a biomédica e George estavam sozinhos na residência no momento do disparo. A família também informou que o imóvel possuía câmeras de segurança, mas as imagens do momento do crime teriam sido apagadas. Esses fatos passaram a integrar a investigação policial.

Outro ponto relatado pelos familiares foi que, durante o relacionamento, Jéssica teria apresentado sinais de violência. Em uma ocasião, segundo os parentes, ela chegou à casa da família com hematomas pelo corpo e um olho roxo, situação que levantou suspeitas de agressões. Na época, os relatos reforçaram a suspeita da família de que ela era vítima de violência doméstica.

"É um ciclo que precisa ser encerrado"

Às vésperas do julgamento, a irmã da biomédica, Vitória Régis Macedo do Carmo, afirmou que a expectativa da família é pela condenação do acusado.

"É um momento em que a gente revisita toda a dor. Por mais que exista uma expectativa muito grande por justiça, é como voltar ao dia em que tudo aconteceu. É muito doloroso. Esse julgamento representa um ciclo que precisa ser encerrado. Nossa família só quer justiça."

Segundo ela, os anos seguintes ao crime foram marcados por sofrimento constante.

"Nossa família foi completamente abalada. Nunca mais seremos os mesmos. A perda dela deixou um vazio enorme. A condenação não vai trazer Jéssica de volta, mas representa que a Justiça cumpriu o seu papel."

Vitória afirma que o julgamento também representa uma resposta para tantas mulheres vítimas da violência de gênero.

"Queremos justiça não só por Jéssica, mas por todas as mulheres que perderam a vida em casos de feminicídio. O caso dela não pode ser apenas mais um."

"Foi a pior notícia da minha vida"

"Foi a pior notícia que eu já recebi. Ninguém espera perder uma irmã dessa forma. Foi devastador ver meus pais destruídos e saber que minha sobrinha cresceria sem a mãe."

Ela lembra que a família vivia os preparativos para a chegada de Heitor. "Faltavam cerca de quinze dias para o nascimento. O quarto já estava pronto, as roupinhas lavadas, tudo organizado. Ela já tinha marcado comigo para acompanhá-la no hospital. Era um momento de felicidade que foi interrompido de forma brutal."

Hoje, a filha de Jéssica, fruto de um relacionamento anterior, tem sete anos e continua sendo criada pela família materna.

A mãe da biomédica, Janete Macedo, falou emocionada sobre a espera pelo julgamento.

"É muita dor. Só quem passa por isso sabe. Minha filha e meu neto não vão voltar, mas a gente quer que a Justiça seja feita e que ele pague pelo que fez. O que fica é a saudade."

O caso

Jéssica Regina Macedo do Carmo era biomédica e trabalhava em um laboratório em Santo Estêvão. Ela estava grávida de nove meses quando foi morta dentro da residência onde vivia com o companheiro.

Além de Heitor, que morreria antes mesmo de nascer, Jéssica deixou uma filha pequena, que atualmente vive sob os cuidados da família materna.

O caso teve grande repercussão na Bahia pela brutalidade do crime e pela morte de mãe e filho. Após mais de quatro anos de espera, familiares acreditam que o julgamento representa a oportunidade para que a Justiça dê uma resposta definitiva ao caso.

"A nossa vida nunca mais será a mesma. A condenação não vai trazer Jéssica de volta, mas vai significar que a Justiça foi feita. É isso que esperamos há mais de quatro anos", concluiu Vitória.

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