Uma operação da Polícia Federal deflagrada nesta quinta-feira (28) mirou uma organização criminosa especializada na fabricação clandestina de cigarros de origem paraguaia e em esquemas de lavagem de dinheiro. Batizada de “Operação Neblar”, a ação cumpriu mandados nos estados da Bahia, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Espírito Santo, após investigações iniciadas a partir de apreensões realizadas em Feira de Santana e São Gonçalo dos Campos.
Em entrevista ao Página de Notícias, o delegado federal Fábio Marques explicou que as investigações começaram após a Polícia Militar identificar uma fábrica clandestina de cigarros em São Gonçalo dos Campos e um galpão utilizado para armazenamento da mercadoria ilegal no Centro Industrial do Subaé (CIS), em Feira de Santana.
“A ocorrência foi apresentada à Polícia Federal em novembro de 2024. Durante as investigações, identificamos também que a Polícia Civil de Cruz das Almas havia localizado outra fábrica clandestina na região. Esses elementos levaram à descoberta de um grupo especializado na fabricação de cigarros de marcas paraguaias”, afirmou o delegado.
Segundo a Polícia Federal, o grupo utilizava empresas de fachada para alugar galpões destinados à instalação das fábricas clandestinas. O dinheiro obtido com a comercialização ilegal dos cigarros era posteriormente utilizado em esquemas de lavagem de dinheiro.
Ao todo, foram expedidos sete mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva. Até o momento, três pessoas foram presas, apontadas como líderes da organização criminosa.
“Esses três presos ocupavam posições de liderança dentro do grupo, o que representa um passo importante para desarticular a organização. Ainda seguimos em busca de outros integrantes que permanecem foragidos”, destacou Fábio Marques.
Entre os investigados que ainda não foram localizados está um suspeito residente em Itajaí, Santa Catarina, que estaria em viagem a São Paulo no momento da operação, além de dois investigados do Rio de Janeiro.
As investigações apontam que a organização deixou de apenas distribuir cigarros contrabandeados do Paraguai para fabricar os produtos clandestinamente em território baiano, reduzindo custos logísticos e aumentando os lucros.
“Trazer cigarros do Paraguai envolve uma logística cara e arriscada. Então, muitos grupos passaram a fabricar o produto aqui mesmo. Eles compram maquinário no Paraguai, trazem trabalhadores paraguaios, muitas vezes submetidos a condições semelhantes à escravidão, e distribuem os cigarros na própria região onde são fabricados”, explicou o delegado.
A Polícia Federal informou ainda que o grupo criminoso teria investido cerca de R$ 30 milhões nas fábricas clandestinas instaladas na Bahia. A Justiça autorizou o bloqueio de R$ 10 milhões, além da apreensão de imóveis, veículos de luxo, embarcações e outros bens adquiridos com recursos da atividade criminosa.
O delegado ressaltou a importância da integração entre as forças de segurança para o sucesso da operação.
“Essa operação demonstra como a integração entre as polícias é fundamental. A Polícia Militar realizou as primeiras apreensões, a Polícia Civil também contribuiu com investigações, e a Polícia Federal deu continuidade ao trabalho de polícia judiciária para identificar e responsabilizar todos os envolvidos”, concluiu.
Com informações: Carlos Valadares
Por: Mayara Nailanne
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