O vereador de Vitória da Conquista Gilvan Nunes Pereira, conhecido como Dinho dos Campinhos (Republicanos), é alvo de denúncia feita por um ex-assessor ao Ministério Público da Bahia (MP-BA), que alega ter sido obrigado a devolver parte do salário todo mês via pix. O esquema ilegal é conhecido como rachadinha e ocorre quando políticos ou assessores detém parte do salário dos funcionários lotados em seus gabinetes ou impõem que repassem os valores para outros fins, como pagamento de dívidas.
Segundo documentos obtidos pela TV Sudoeste, os valores enviados por um dos funcionários somam entre R$ 45 mil e R$ 60 mil em repasses feitos pelo menos desde junho de 2024.
Áudios e mensagens de texto apresentados como parte das provas enviadas ao MP-BA e à Corregedoria da Câmara Municipal de Vitória da Conquista mostram como o vereador organizava o esquema. “Você receberia 700 e o outro você passava para mim e eu passo para outras pessoas que eu tenho prova que faço isso, entendeu”, afirmou o vereador em um dos áudios.
Dinho ainda teria orientado o assessor a eliminar os comprovantes das transferências. “Depois tu apaga aqueles pix de transferência que tu fez pra mim, um por um, viu? Pode apagar tudo, todos que tiverem. Pode apagar tudo, viu? Aí você apaga pra mim, por favor”, orientou o vereador em outro áudio.
Em prints enviados junto às denúncias, o vereador envia mensagens ao assessor cobrando o envio do dinheiro.
Denúncia à Câmara
Segundo o presidente da Câmara, Ivan Cordeiro (PL), a denúncia foi recebida no âmbito legislativo. “A partir do conhecimento dessa denúncia, a mesa diretora decidiu encaminhar um requerimento para apuração de uma possível quebra de decoro parlamentar do vereador”, afirmou em entrevista à TV Sudoeste.
Após a análise inicial das provas, a corregedora Márcia Viviane confirmou a admissibilidade da denúncia. O caso será encaminhado para apuração pela Comissão de Ética da Casa. Se as irregularidades forem confirmadas, o vereador poderá sofrer sanções e perder o mandato.
Dados da Justiça Eleitoral mostram que há divergências na declaração de renda e patrimônio de Dinho entre 2020 e 2024. Na primeira corrida eleitoral em que foi candidato pelo Progressistas (PP), ele declarou não possuir patrimônio. Dinho foi eleito com 1.486 votos.
Já nas últimas eleições municipais, quando concorreu pelo Republicanos, o vereador declarou possuir R$ 220 mil em bens. Ele angariou 3.109 votos.
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