Feira de Santana tem se tornado ponto de acolhimento para povos originários que buscam visibilidade, respeito e condições de sobrevivência. Um grupo da etnia Kariri-Xocó, vindo de Alagoas, está na cidade realizando apresentações culturais em escolas e mobilizando apoio da população.
A iniciativa conta com o suporte do Conselho das Comunidades Negras, Indígenas e Quilombolas (Condensine), que atua no acolhimento dos indígenas em um espaço localizado no bairro Santa Mônica. Segundo o presidente do conselho, Aristides Maltez, a ação representa um momento importante de reconhecimento histórico e valorização cultural.
“É muito gratificante ver Feira de Santana realizando esse acolhimento. Esse é um momento de resgate e reconhecimento de uma cultura que, ao longo do tempo, vem se perdendo. Temos contado com o apoio da gestão municipal para garantir esse suporte”, destacou.

Durante a estadia na cidade, o grupo cumpre uma agenda diária de apresentações em escolas municipais e estaduais, onde compartilha tradições, danças, cantos e comercializa artesanato produzido na aldeia.
Além da valorização cultural, o conselho também faz um apelo à população. A proposta é que escolas, instituições e moradores contribuam com doações de alimentos não perecíveis e adquiram produtos artesanais como forma de apoio direto às famílias indígenas.
As doações podem ser entregues na Casa dos Conselhos, localizada na Rua Osvaldo do Cruz, nº 165, no bairro Kalilandia.
O cacique Macairi, líder do grupo Kariri-Xocó, destacou a importância da acolhida em Feira de Santana e reforçou o pedido de ajuda. Segundo ele, cerca de 15 pessoas estão na cidade e dependem da solidariedade para manter o sustento da aldeia.
“As doações são para todo o povo Kariri-Xocó. Estamos aqui buscando apoio para levar recursos para nossa aldeia. A vida lá está difícil, e precisamos dessa ajuda”, afirmou.
O cacique também chamou atenção para as dificuldades enfrentadas na terra de origem, como a escassez de recursos naturais e os impactos ambientais que têm comprometido práticas tradicionais de subsistência, como a caça e a pesca.
“A gente não vive mais como antigamente. A natureza mudou, e precisamos preservar o pouco que resta. Por isso, temos que sair das aldeias em busca de recursos”, explicou.
Apesar dos desafios, ele ressaltou a receptividade encontrada nas escolas da cidade. “Estamos sendo bem recebidos. O que pedimos é oportunidade, que abram as portas para nossa cultura”, disse.
O grupo permanece em Feira de Santana até o dia 1º de maio, quando retorna para Alagoas. Até lá, segue com a programação cultural e contando com o apoio da comunidade local.
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