A Polícia Civil avançou nas investigações sobre o assassinato de Rogério Brandão Fernandes, de 56 anos, morto a tiros no dia 28 de fevereiro, no bairro Brasília, em Feira de Santana. Dois policiais militares foram identificados como suspeitos do crime, que teria sido motivado por um possível histórico de abusos sexuais atribuídos à vítima.
De acordo com o delegado Fabrício Linardi, responsável pelo caso, a investigação foi conduzida pela Delegacia de Homicídios e ganhou força a partir de imagens de câmeras de segurança instaladas em uma oficina na rua Lopes Rodrigues, onde o crime ocorreu.
“As imagens registraram o momento exato em que dois homens descem de um veículo e efetuam os disparos contra a vítima, que seguia para o trabalho”, explicou o delegado.
A partir dessas imagens, os investigadores conseguiram identificar o carro utilizado na ação criminosa. O veículo apresentou problemas mecânicos durante a fuga e foi levado por um guincho até uma oficina da cidade, o que permitiu sua localização e apreensão. “Foi a partir desse veículo que conseguimos chegar aos autores”, detalhou.
Durante o andamento do inquérito, a polícia identificou dois policiais militares como principais suspeitos. Segundo o delegado, a motivação do crime pode estar relacionada a denúncias de abusos sexuais cometidos pela vítima anos atrás.
“As investigações apontaram que a namorada de um dos suspeitos teria sido vítima de abuso quando criança. Outras mulheres também relataram situações semelhantes, incluindo familiares e amigas, cujos depoimentos foram colhidos e confirmados”, afirmou.
Ainda segundo a Polícia Civil, a jovem teria reencontrado Rogério recentemente em um supermercado, ocasião em que se sentiu intimidada. Para o delegado, esse episódio pode ter sido o fator decisivo para o planejamento do crime. “Acreditamos que esse fato recente tenha sido o ‘gatilho’ para a execução”, disse.
Os suspeitos chegaram a se apresentar espontaneamente à Delegacia de Homicídios, acompanhados de advogados, antes mesmo da decretação da prisão preventiva. No entanto, optaram por permanecer em silêncio durante o interrogatório, exercendo um direito constitucional.
Mesmo sem os depoimentos dos investigados, a polícia afirma que reuniu provas suficientes para sustentar o inquérito. “Buscamos complementar as informações por meio de testemunhas, imagens e outros recursos investigativos”, explicou o delegado.
A conclusão do inquérito deve ocorrer nos próximos dias, após o período da Semana Santa, quando será encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário.
O delegado destacou ainda a complexidade da investigação e lamentou o envolvimento de agentes de segurança no crime. “A investigação não escolhe quem será responsabilizado. Nosso compromisso é com a verdade. Lamentamos que policiais estejam envolvidos, mas agora cabe à Justiça dar o encaminhamento ao caso”, concluiu.
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