De olho na segurança: o papel da mídia na cobertura segura nas ações de segurança pública” foi o tema do workshop que reuniu profissionais da comunicação e da segurança pública para discutir ética, responsabilidade e os impactos da informação na sociedade. O encontro contou com a participação do professor Washington Souza Filho, diretor da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (UFBA), e do delegado Jackson Carvalho, diretor da Academia da Polícia Civil da Bahia (Cadepol), que destacaram a necessidade de rigor na apuração e cautela na divulgação de informações envolvendo operações policiais.
Durante o debate, Washington Souza Filho ressaltou que a chamada “verdade absoluta” é uma meta difícil de ser plenamente alcançada no jornalismo. Para ele, o papel do jornalista não é estabelecer uma verdade definitiva, mas reconstruir os fatos com base em informações apuradas de forma criteriosa. “A verdade absoluta é uma busca difícil. O que o jornalista deve estabelecer é uma reconstituição dos fatos. Essa reconstrução, feita com responsabilidade e acesso adequado às informações, é o que permite demonstrar uma verdade possível”, afirmou.

O professor destacou que a credibilidade da fonte é essencial, especialmente na cobertura de ações policiais. No entanto, confiança não dispensa checagem. “É um princípio básico do jornalismo. Não se pode reconstruir um fato sem reconhecer que a fonte tem credibilidade e capacidade para fornecer aquela informação”, explicou, reforçando que a verificação rigorosa é o que sustenta a qualidade da notícia.
A responsabilidade sobre os efeitos da informação também foi enfatizada. Segundo Washington, há episódios na história do jornalismo em que a divulgação precipitada — muitas vezes decorrente de falhas da própria fonte oficial — trouxe consequências graves, gerando pânico, prejudicando pessoas e interferindo em investigações.
Com o avanço da internet e das redes sociais, qualquer cidadão com um celular pode registrar e divulgar acontecimentos em tempo real. Para o professor, isso amplia o acesso à informação, mas não substitui o papel do jornalista profissional. “A tecnologia permite publicar, mas a diferença está na qualidade da informação e na responsabilidade com que ela é tratada”, pontuou, lembrando que veículos reconhecidos ainda são referência em credibilidade.
Ao abordar a ética, Washington foi enfático ao afirmar que ela deve estar presente na vida de todos. “O jornalista não é diferente de nenhum outro cidadão. A ética não é exclusiva da profissão, é uma obrigação social”, disse.

O delegado Jackson Carvalho destacou que o workshop foi estruturado sobre pilares como ética, transparência e responsabilidade. Segundo ele, a informação, quando divulgada sem o devido cuidado, pode comprometer operações e colocar vidas em risco. “Ela tem o poder de modificar o comportamento de uma comunidade inteira. Se divulgada de forma precipitada, pode gerar insegurança”, alertou.
Ele citou como exemplo situações em que equipes de reportagem acompanham diligências policiais. Nesses casos, explicou, o policial assume a posição de garantidor da integridade física do profissional de comunicação. Da mesma forma, quando uma informação não checada é divulgada por qualquer uma das partes, os impactos podem ser significativos.
Para o diretor da Cadepol, a formação acadêmica é fundamental, mas não prepara integralmente para os desafios da prática. A experiência e o diálogo entre as instituições são essenciais para alinhar condutas e fortalecer a cobertura responsável.
O principal consenso do encontro foi que informação e segurança pública caminham juntas — e exigem compromisso ético, responsabilidade e rigor na apuração para garantir que o direito de informar não coloque em risco a integridade de profissionais nem da sociedade.
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