A fotógrafa e videomaker baiana Ana Victória Otoni, especializada em registros de parto e família, foi a vencedora do Concurso Internacional da Lumicroma, criado em Portugal. Com o tema “Joy” (alegria, em tradução livre), ela venceu com a imagem “Nos laços do toque: O milagre da vida”, registrada em Salvador, em 2023, durante um parto. A curadoria do concurso analisou milhares de fotografias de 64 países, e a obra de Otoni foi escolhida por votação do público.
A imagem exalta a natureza do corpo feminino e a importância do contato pele a pele como um ato de respeito à vida, respaldado pela ciência, como descreve a autora. O registro foi feito durante o parto domiciliar planejado de Clis Mariana e de sua filha, Flora, com assistência do Coletivo Sobreparto e das parteiras Tanila Amorim e Rafaela Ferreira.
“É o fortalecimento do vínculo nos primeiros instantes. Neste parto, a essência do nascimento está retratada em um evento natural e familiar, onde a alegria, a força e o amor são protagonistas da história. É um chamado para o futuro, onde toda mulher possa parir de forma segura, digna e sem imposições”, destaca a fotógrafa na descrição da obra.
A fotografia integrou a exposição “In Colors Project”, iniciativa internacional da Lumicroma que ressalta a fotografia como registro sociocultural e intervenção artística. O projeto propõe, anualmente, uma reflexão visual sobre o tempo em que vivemos. A terceira edição, com o tema JOY, reúne 75 obras de 56 autores de 22 países, formando um atlas emocional que questiona as diferentes expressões da alegria em um mundo marcado por tensões geopolíticas e crises sistêmicas. A exposição esteve em cartaz em São João da Madeira e no Porto, em Portugal, e também pode ser visitada online.
Guiada por conexões genuínas, sorrisos, abraços e pela energia do seu espírito baiano, Ana Victória Otoni cultiva uma profunda paixão pela arte, pelo cinema e pela imagem em movimento. Antes de se dedicar à fotografia, iniciou sua trajetória como videomaker, até que a fotografia se tornou uma expressão central de significado e propósito em sua vida.
Ela é criadora e fundadora da Rosa Branca Fotografia, projeto concebido como uma missão: contribuir para a construção de narrativas de nascimento baseadas em evidências científicas, entendendo a fotografia como um ato de preservação histórica. Seu trabalho busca exaltar o protagonismo feminino e criar memórias com sensibilidade, autenticidade e respeito.
Durante cinco anos, Ana Victória fotografou e filmou partos na Bahia. Atualmente vivendo em Lisboa, segue seus estudos em Fotografia e Cultura Visual no IADE. A partir de uma forte conexão espiritual, dedica-se ao universo da gestação e do parto, acreditando no poder das imagens como ferramentas de transformação social. Sua fotografia vai além do valor estético: documenta a força das mulheres, a autonomia de seus corpos e o direito de terem suas escolhas respeitadas.
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