Com informações: Carlos Valadares
Por: Mayara Nailanne
O fim de ano costuma ser marcado por reencontros, viagens e estradas cheias, mas também escancara um problema persistente nas rodovias brasileiras: a dificuldade de transformar pressa em prudência. Entre o Natal e o Ano Novo, o balanço da Polícia Rodoviária Federal (PRF) na região de Feira de Santana revelou que, apesar do reforço na fiscalização, comportamentos de risco ainda custaram vidas e deixaram dezenas de pessoas feridas.
Durante o período da operação, foram registrados 15 acidentes, que resultaram em sete mortes e 22 feridos. Os números, embora frios, carregam histórias interrompidas e famílias impactadas por decisões tomadas em poucos segundos ao volante. Ao todo, 1.819 pessoas foram fiscalizadas e 1.565 veículos passaram por algum tipo de abordagem nas rodovias federais que cortam a região.
Foto: Carlos Valadares
Segundo o inspetor Ivanildo Cirqueira, chefe da Delegacia da PRF em Feira de Santana, as infrações mais flagradas repetem um padrão já conhecido pelas equipes. Ultrapassagens em faixa contínua e excesso de velocidade lideraram as autuações, especialmente em trechos de pista simples, onde o risco é potencializado. Também foi frequente o registro de ocupantes sem cinto de segurança, sobretudo no banco traseiro, prática ainda subestimada por muitos motoristas e passageiros.
Ao longo da operação, a PRF lavrou 531 autos de infração, recolheu 24 veículos por irregularidades diversas e prestou 20 auxílios a usuários que enfrentaram problemas mecânicos ou outras situações de emergência na estrada. Em dois casos, animais soltos nas rodovias foram recolhidos, evitando possíveis acidentes de grandes proporções.
A alcoolemia segue como um dos principais fatores de preocupação. Foram realizados 1.062 testes do etilômetro, reforçando a tentativa de coibir a combinação entre álcool e direção. De acordo com Ivanildo, mesmo com o direito de recusa garantido por lei, a ingestão de bebida alcoólica compromete a capacidade psicomotora do condutor e aumenta significativamente o risco de sinistros graves. “É um comportamento que coloca em perigo não só quem dirige, mas todos que compartilham a rodovia”, destacou.

Na comparação com o mesmo período do ano passado, a PRF observou aumento nas condutas de risco, o que ajuda a explicar a persistência dos acidentes, mesmo com maior presença policial e uso de radares para fiscalização de velocidade. Para o inspetor, o enfrentamento desse cenário passa, necessariamente, pela conscientização dos motoristas.
A educação para o trânsito, aliás, é tratada como eixo central das ações da PRF ao longo de todo o ano. Em períodos de grande fluxo, como férias escolares e festas de fim de ano, esse trabalho é intensificado com abordagens educativas rápidas, palestras de poucos minutos, orientações a passageiros de ônibus e até o uso de QR Codes que direcionam motoristas e viajantes a vídeos curtos sobre segurança viária. “A fiscalização é necessária, mas só a educação consegue mudar comportamento”, reforçou Ivanildo.
Os trechos que exigem maior atenção, segundo a PRF, são definidos a partir de dados estatísticos. Áreas urbanizadas como Feira de Santana, Santo Estêvão, Santa Bárbara e Serrinha concentram maior risco por misturarem fluxo rodoviário com pedestres, ciclistas e motociclistas. Na BR-116 Norte, onde ainda há pista simples, as ultrapassagens indevidas são motivo de alerta constante. Já na BR-116 Sul, a Curva do Cavaco preocupa pelo histórico de acidentes envolvendo veículos de carga, e estudos estão em andamento junto ao DNIT para implantação de radares e outras melhorias.
Além da segurança viária, a operação também teve impacto no combate ao crime. Desde o início da Operação Rodovida, em dezembro, mais de 300 quilos de drogas foram retirados de circulação, resultado do aumento do efetivo e da presença ostensiva da PRF nas estradas.
Com o fluxo intenso típico do período de férias e do verão, a orientação da Polícia Rodoviária Federal é direta: dirigir com calma, respeitar as leis de trânsito e entender que a rodovia é um espaço coletivo. A mensagem final é simples, mas ainda necessária — nenhuma viagem vale mais do que a vida.
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