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Cultura Lucas da Feira

Livro sobre Lucas da Feira será lançado em Feira de Santana no Dia da Consciência Negra

Para compor a obra, o autor utilizou diversas fontes históricas, incluindo a tese de mestrado da pesquisadora Zélia de Jesus, textos de Sabino de Campos e Silva Reis

26/03/2025 15h05
Por: Carlos Valadares

No próximo dia 20 de novembro, data em que se celebra o Dia da Consciência Negra, será lançado em Feira de Santana o livro que conta a história de Lucas Evangelista dos Santos, mais conhecido como Lucas da Feira. A obra é de autoria do escritor João Andrade dos Santos, natural de Juazeiro, na Bahia, que possui uma forte ligação com Feira de Santana, onde viveu entre 1966 e 1986. O livro propõe um resgate histórico e cultural desse personagem controverso, inserindo sua trajetória no contexto mais amplo da história da Bahia e do Brasil.

De acordo com o autor, a pesquisa sobre Lucas da Feira revelou aspectos pouco explorados de sua história, conectando sua vida a importantes transformações políticas e sociais da época. "Lucas nasceu em 1807, um período em que o Brasil passava por mudanças significativas, desde a chegada da corte portuguesa fugindo das Guerras Napoleônicas até a luta pela independência. Ele viveu em um contexto marcado por revoltas como a dos Malês e a Sabinada, e pelo início das discussões sobre a proibição do tráfico negreiro", explica Andrade.

Para compor a obra, o autor utilizou diversas fontes históricas, incluindo a tese de mestrado da pesquisadora Zélia de Jesus, textos de Sabino de Campos e Silva Reis, além de uma extensa análise de jornais do século XIX. Ao longo da pesquisa, Andrade analisou aproximadamente 98 mil páginas de registros históricos, buscando compreender não apenas os eventos que envolveram Lucas da Feira, mas também o contexto da escravidão e da resistência negra na Bahia.

A figura de Lucas da Feira é cercada por diversas interpretações. Enquanto alguns o veem como um criminoso violento, outros o consideram um símbolo de resistência à opressão. Andrade aponta que o livro oferece uma nova perspectiva sobre o personagem: "Não podemos nos prender apenas à imagem de assassino. É preciso entender o contexto de perseguição aos negros e as poucas opções que um escravizado fugido tinha naquela época. Muitos preferiam até a morte a voltar para a escravidão".

O autor também destaca a astúcia de Lucas da Feira, que conseguiu escapar da captura por mais de 20 anos, mesmo com seus companheiros sendo presos e mortos. Segundo Andrade, Lucas possuía uma rede de contatos que lhe permitia obter informações sobre as movimentações das autoridades. "Ele não admitia quem eram seus compradores e protetores, mesmo sob tortura. Isso demonstra seu compromisso com aqueles que o ajudavam", diz o escritor.

A obra também aborda a percepção da população sobre Lucas da Feira na época. Para muitos, ele era visto como um terror, alguém a ser temido, tanto que um homem chegou a ser preso por engano, acusado de ser Lucas. Durante 60 dias, ele foi mantido sob custódia até que testemunhas confirmaram o erro. "Isso mostra o medo que a figura de Lucas despertava", afirma Andrade.

Por: Mayara Nailanne 

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