O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem que o G-20 deixe de concentrar suas discussões sobre assuntos como a guerra na Ucrânia e evite a divisão interna, uma situação flagrante que domina os trabalhos do grupo das principais economias do mundo, desde o ano passado.
“Não podemos deixar que questões geopolíticas sequestrem agenda de discussões de várias instâncias do G-20″, afirmou o petista, no discurso final da Cúpula em Nova Délhi, na Índia. “Não nos interessa um G-20 dividido. Só com uma ação conjunta podemos fazer frente aos desafios de nossos dias. Precisamos de paz e de cooperação em vez do conflito.”
O discurso de Lula ocorre num cenário de disputas geopolíticas polarizadas pelos Estados Unidos e pela China, e potencializado pela guerra entre a Rússia e Ucrânia.
A oposição entre interesses de países ocidentais, organizados por meio do G-7 e aliados, e o alinhamento de chineses e russos marcou e com frequência travou as discussões e deliberações do G-20 indiano, como vinha ocorrendo também durante a presidência da Indonésia, em 2022.
O discurso de Lula reflete ainda a agenda internacional pregada por ele nos últimos meses, que tem atraído críticas dentro e fora do Brasil.
Essa política é marcada por um não alinhamento à guerra na Ucrânia, por vezes entendido como um apoio tácito à Rússia, e o questionamento do dólar como base do comércio internacional, em um aceno ao protagonismo chinês.
No sinal mais recente desse alinhamento ao bloco antiocidental, Lula disse na Índia que conta com a presença do líder russo Vladimir Putin na cúpula do G-20 do ano que vem, no Brasil. Putin tem contra si um mandado de prisão internacional para responder no Tribunal de Haia por crimes de guerra. Segundo Lula, no entanto, o presidente russo não será presos se pisar no País.
Como signatário do Tratado de Roma, o País teria de entregá-lo ao TPI. Na recente cúpula do Brics na África do Sul, Putin evitou uma viagem ao país africano, que também é signatário do tratado.
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