A Prefeitura de Feira de Santana, por meio do comando da Guarda Civil Municipal (GCM), em parceria com a Faculdade Estácio, promoveu nesta segunda-feira (31) uma palestra de conscientização sobre o avanço das casas de apostas online, as chamadas "Bets". O encontro teve como objetivo debater os impactos psicológicos e financeiros do vício em jogos de azar virtuais, refletindo sobre como esse fenômeno afeta tanto a população civil quanto a rotina dos agentes de segurança.
A psicóloga e economista Viviâne Pereira, uma das palestrantes do evento, destacou a linha tênue entre o entretenimento e a compulsão. “Abordamos o tema longe de questões moralizantes, focando na questão patológica: o jogo problemático. O uso recreativo costuma ser mínimo. O excesso, por outro lado, se torna um vício comportamental severo, assim como a dependência química. Quando a prática de apostas chega a esse nível, ela deve ser encarada e tratada como um vício grave”, explicou.
Durante a exposição, a especialista ressaltou que a dependência é impulsionada pela facilidade de acesso às plataformas via celular e pela falsa promessa de retorno financeiro rápido. Essa dinâmica incentiva o indivíduo a buscar repetidamente a satisfação com a prática, transformando o que parecia uma atividade inofensiva em uma compulsão perigosa.
O professor e mestre em Filosofia e Teoria Geral do Direito, Gabriel Salles, reforçou a necessidade de uma análise multidisciplinar do problema no dia a dia. “Podemos analisar esse fenômeno sob a ótica da psicologia, os impactos na economia, os reflexos na saúde individual e também os aspectos jurídicos”, exemplificou o educador.
Ele também destacou o papel do debate para gerar pensamento crítico na tropa. “O seminário serve para oferecer múltiplas visões sobre o mesmo objeto e, sobretudo, para inquietar. É a partir dessa inquietação e desses processos de reflexão que começamos a analisar o assunto de forma mais crítica e atenta”, completou.
Para o comandante da GCM, Marcos Dantas, a capacitação é uma ferramenta fundamental para preparar os agentes. Ele pontuou que o conhecimento adquirido ajuda os guardas não apenas no cuidado pessoal, mas também na abordagem de ocorrências que envolvam o tema nas ruas. “Os nossos agentes precisam compreender essa nova realidade para saber como atuar. É essencial estar preparado para lidar com essa situação, tendo a consciência e a empatia de que esse é um problema que pode acometer qualquer pessoa, inclusive a nós mesmos”, concluiu o comandante.
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