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Geral Mortalidade materna

Brasil registra 1,3 mil mortes maternas em 2024; maioria dos casos poderia ser evitada

Especialistas defendem pré-natal de qualidade e atenção no pós-parto para reduzir mortes maternas.

28/05/2026 08h42
Por: Carlos Valadares
© Jas/Pixabay
© Jas/Pixabay

O Brasil ainda registra centenas de mortes maternas todos os anos durante a gestação, no parto ou até 42 dias após o fim da gravidez. Em 2024, a razão de mortalidade materna foi de 56,4 mortes a cada 100 mil nascidos vivos, com 1.347 óbitos registrados no país.

Os dados são do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM-Datasus), consultados no Observatório da Saúde Pública. Segundo a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas), nove em cada dez mortes maternas poderiam ser evitadas.

A meta do Brasil é reduzir esse índice para 30 mortes a cada 100 mil nascidos vivos até 2030.

Nesta quarta-feira (28), Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, especialistas reforçam a importância do pré-natal de qualidade, do acompanhamento após o parto e da atuação integrada das equipes de saúde.

A chefe da Unidade de Saúde da Mulher da Maternidade-Escola da UFRJ, Maria Isabel Peixoto, afirma que o pré-natal precoce e bem conduzido aumenta as chances de um parto seguro.

“Com um pré-natal bem feito e iniciado o mais cedo possível, conseguimos monitorar riscos e garantir melhores desfechos para mãe e bebê”, destaca.

A maternidade é referência em casos de alto risco. Entre as principais causas de morte materna no Brasil estão síndromes hipertensivas, hemorragias, infecções puerperais e complicações do aborto. As causas obstétricas diretas representam 66% dos casos.

A técnica de enfermagem Fernanda Lopes de Almeida, de 41 anos, faz acompanhamento na unidade por hipertensão e histórico de diabetes gestacional. Grávida de 18 semanas, ela afirma que o atendimento trouxe mais segurança durante a gravidez.

“Recebi orientações sobre alimentação, faço exames e acompanhamento constante. Hoje vivo uma gestação mais tranquila”, relata.

O enfermeiro obstétrico Renné Costa, membro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), defende o trabalho multidisciplinar para reduzir mortes maternas.

“Cada profissional tem um papel importante, mas todos precisam estar focados na mãe e no bebê”, afirma.

Desde 2009, Renné já participou de mais de 5 mil partos no Hospital Municipal de Viçosa, em Alagoas. Segundo ele, a ampliação da autonomia da enfermagem ajudou a expandir o atendimento obstétrico no município.

Especialistas também alertam para os riscos no pós-parto, período conhecido como puerpério. A ginecologista e obstetra Inessa Bonomi, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), afirma que muitas mulheres deixam de ser acompanhadas adequadamente após a alta hospitalar.

“O puerpério é uma fase crítica. Muitas complicações surgem nesse período e podem se agravar rapidamente”, explica.

Entre os sinais de alerta estão sangramento excessivo, febre, falta de ar, dor no peito, pressão alta persistente e dores de cabeça intensas.

A Febrasgo também destaca a importância da saúde mental no pós-parto. Tristeza intensa, ansiedade, insônia, sensação de incapacidade e dificuldade de vínculo com o bebê exigem atenção. Em casos graves, podem ocorrer pensamentos de autoagressão ou sintomas psicóticos.

No âmbito federal, o governo lançou em 2024 a Rede Alyne, programa que busca reduzir a mortalidade materna em 25% até 2027 e em 50% entre mulheres negras. A iniciativa substitui a antiga Rede Cegonha e homenageia Alyne Pimentel, que morreu grávida, aos 28 anos, após falhas no atendimento público de saúde, em Belford Roxo (RJ).

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