A barragem de Jaguara, em Feira de Santana, registrou a morte de diversas espécies de peixes na manhã do dia 7 de abril. O caso foi confirmado pelo diretor de Planejamento de Educação Ambiental da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Recursos Naturais (SEMMAM), João Dias, após denúncias de moradores e registros enviados à Câmara Municipal e à secretaria.
“Quando chegamos ao local, observamos muitos peixes mortos, a água estava com mau cheiro e inexplicavelmente toda verde, apesar de o rio ter passado recentemente por cheias”, afirmou João Dias. Segundo ele, os peixes mais afetados foram espécies nativas, como o acará (corró) e o piau-três-pinta, essenciais para estudos sobre a saúde do ecossistema local.

A SEMMAM contratou uma empresa especializada para realizar análises iniciais da água, medindo temperatura, pH e oxigênio dissolvido. “Os parâmetros estavam dentro da normalidade, exceto a temperatura, que chegou a 32,3 °C acima do esperado. Já está normalizando”, explicou o diretor. Novas coletas serão feitas para análise de DBO, DQO, nitrato, nitrito, turbidez e outros parâmetros, a fim de identificar a causa da mortandade.
Como medida preventiva, João Dias orienta que moradores, pescadores e turistas evitem consumir peixes ou entrar na água até que os resultados das análises sejam concluídos.

A barragem recebe água de diversos afluentes, incluindo o Rio das Pedras, o Rio Toc e o Rio Jacuípe. O acúmulo de matéria orgânica e poluição urbana, aliado a chuvas recentes, pode ter contribuído para o incidente. Moradores também levantaram a hipótese de contaminação por agrotóxicos, trazidos pela chuva de áreas rurais próximas, mas a SEMMAM afirma que apenas análises detalhadas poderão confirmar essa possibilidade.
O diretor reforçou a necessidade de cuidados por parte de agricultores na aplicação de produtos químicos. “Agrotóxicos como Tordo, Roundup, Carpina e Tordão só devem ser aplicados com orientação técnica, nunca próximo a rios ou riachos, nem em dias de chuva ou vento. A aplicação com drones é proibida em todo o município, e denúncias podem ser feitas pelo 156, para que a fiscalização tome providências de acordo com a lei municipal 120/2018”, explicou João Dias.
Sobre a limpeza da água em caso de contaminação, o diretor disse que não há intervenção rápida: “Somente um novo aumento do nível do rio poderá limpar naturalmente a barragem, caso contrário será necessário aguardar o processo natural de resiliência da água.”
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