A crescente violência no trânsito e seus impactos diretos na rede de saúde foram tema de um fórum realizado em Feira de Santana, reunindo autoridades, profissionais de saúde e representantes da sociedade civil. O evento chamou atenção para o aumento no número de vítimas, especialmente jovens, e para a sobrecarga enfrentada pelo Hospital Geral Clériston Andrade, principal unidade de referência na região.
De acordo com a diretora do Hospital Geral Cleriston ANdrade, a médica Cristiana França, o cenário é preocupante e vem se agravando semana após semana. “Cada vez mais pacientes chegam ao hospital, muitos deles jovens e pais de família. Quando não vão a óbito, ficam com sequelas permanentes”, destacou. Segundo ela, a iniciativa do fórum busca envolver diferentes setores da sociedade em um movimento coletivo pela redução dos acidentes.

O impacto dentro do hospital é significativo. Atualmente, as vítimas de acidentes de trânsito representam o principal fator de superlotação da unidade. “Hoje, indiscutivelmente, o maior tensionamento que temos são esses casos. A maioria das macas nos corredores é ocupada por vítimas de trânsito”, afirmou. Em alguns setores, como a ortopedia, a capacidade é amplamente ultrapassada: uma ala preparada para cinco pacientes chega a atender até 55 simultaneamente.
O atendimento na unidade segue critérios de gravidade. Pacientes em estado crítico, com risco iminente de morte, têm prioridade imediata, enquanto casos menos urgentes aguardam estabilização e exames. “Trabalhamos com base na gravidade, porque o tempo pode ser determinante entre a vida e a morte”, explicou a diretora.
Em relação ao perfil das vítimas, os homens ainda são maioria, representando cerca de 70% dos casos atendidos, enquanto as mulheres correspondem a 30%.
Para a Polícia Militar, a participação no evento reforça a importância da integração entre المؤسسات públicas e sociedade. O coronel Miller destacou que a corporação pretende intensificar ações de fiscalização e, principalmente, de educação no trânsito. “Nosso objetivo é promover reflexão e conscientização, levando esse debate para escolas e comunidades”, afirmou.

Além do trânsito, o coronel também ressaltou o avanço das ações de segurança pública no município, com operações integradas e uso de inteligência, que têm resultado em apreensões e aumento da sensação de segurança.

O superintendente municipal de trânsito, Ricardo Cunha Oliveira, enfatizou que iniciativas como essa já começam a apresentar შედეგados positivos, com redução no número de acidentes. No entanto, ele alertou que a mudança de comportamento dos condutores ainda é o maior desafio. “Não estamos nas ruas apenas para autuar, mas para salvar vidas. É preciso entender que as regras existem para proteger todos”, disse.
O deputado federal Zé Neto também defendeu a ampliação da educação no trânsito, especialmente nas escolas, como forma de prevenção a longo prazo. Segundo ele, a alta taxa de ocupação hospitalar por vítimas de acidentes — que pode chegar a até 80% em determinados períodos — evidencia a urgência de políticas públicas mais eficazes. “A responsabilidade é de todos: poder público e sociedade precisam agir juntos para mudar essa realidade”, concluiu.
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