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PRF cumpre 302 mandados de prisão por violência contra a mulher em operação nacional

Ação foi realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8)

09/03/2026 06h00
Por: Carlos Valadares
Foto: Divulgação/PRF
Foto: Divulgação/PRF

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) cumpriu 302 mandados de prisão em aberto relacionados a crimes de violência contra mulheres entre 9 de fevereiro e 5 de março, durante a segunda fase da Operação Alerta Lilás. A ação foi realizada em alusão ao Dia Internacional da Mulher, celebrado neste domingo (8).

Segundo a corporação, a maior parte das prisões ocorreu por não pagamento de pensão alimentícia, com 215 mandados cumpridos. Também houve detenções por estupro (37 casos, sendo 27 contra pessoas vulneráveis) e por descumprimento de medida protetiva (16).

Os estados com maior número de mandados executados foram Rio Grande do Sul (26), Goiás (22) e Minas Gerais (18). Ao longo dos 24 dias da operação, iniciada durante o Carnaval, a média foi de 12 prisões por dia. Na edição de 2025 da ação, 83 mandados haviam sido cumpridos.

Criado pela PRF em 2025, o Alerta Lilás foi instituído em referência ao Dia Nacional de Luta contra a Violência à Mulher, celebrado em 10 de outubro. A iniciativa consiste na ativação de avisos no sistema de consulta criminal da corporação, integrado ao Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

Com o alerta ativado, policiais rodoviários federais de todo o país podem direcionar fiscalizações para localizar pessoas com mandados de prisão em aberto. As abordagens podem ocorrer em unidades da PRF, durante operações de rotina em rodovias, ou em pontos estratégicos, como áreas de descanso, postos de combustível e praças de pedágio.

Apesar do endurecimento da legislação e da ampliação das redes de proteção, o Brasil ainda registra índices elevados de violência contra mulheres. De acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), em 2025 foram registrados 1.559 feminicídios no país, além de mais de 83 mil casos de estupro, dos quais 59 mil contra pessoas vulneráveis,  em sua maioria crianças e adolescentes.

Em fevereiro, representantes dos três Poderes assinaram o Pacto Nacional Brasil de Enfrentamento ao Feminicídio, que prevê ações para fortalecer as redes de proteção, acelerar o cumprimento de medidas protetivas, ampliar campanhas educativas e responsabilizar agressores.

“O Brasil aparece globalmente como o quinto país mais arriscado para as mulheres, onde o sentimento, que compartilho, é de terror. A gente se preocupa com a roupa que veste, com o horário da rua onde anda, se está iluminada, se a gente está sozinha”, afirma a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra Mulheres do Ministério das Mulheres, Estela Bezerra. “O Brasil não vai admitir esse ranking. Vamos mudar essa trajetória, mudar essa história do Brasil em relação à vida das mulheres. Queremos as mulheres vivas”, defende a secretária.

Segundo ela, o estupro de vulnerável foi o crime que mais cresceu no país no último ano. “Esse aumento, de 42%, está correlacionado ao sentimento de impunidade. Então a operação da PRF é fantástica no sentido em que ela coloca os mecanismos de Segurança Pública alinhados a uma mensagem para a sociedade, de que a violência contra a mulher é crime, e que quem cometê-la, vai ser punido”, afirma.

Estela também destacou o alto número de mandados ligados à pensão alimentícia. “Esse número mostra gravidade não só da violência contra mulher, mas a violência contra crianças e adolescentes. É preciso combater essa cultura, dos homens que se sentem desobrigados de nutrir, de manter a família economicamente”, diz.

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