A próxima quinta-feira, 4 de dezembro, será dia de festa no Centro de Abastecimento, com a realização da 49ª edição do Caruru de Santa Bárbara, divindade reverenciada por católicos e por adeptos das religiões de matriz africana, chamada por estes de Iansã.
O Caruru de Santa Bárbara/Iansã é uma das celebrações em que o profano e o sagrado se encontram sem distinções ou preconceitos. No catolicismo, Santa Bárbara é protetora de várias profissões. No candomblé, também conhecida como Oyá, é a orixá dos ventos, raios e tempestades, uma figura guerreira, forte e destemida.
O caruru, considerado um prato sagrado e de grande importância ritualística nas religiões de matriz africana, é parte essencial dessa devoção. Santa Bárbara é a padroeira do Centro de Abastecimento e, por isso, na quinta-feira, todos os caminhos levam os fiéis ao entreposto comercial.
Neste ano, serão servidos três mil pratos de caruru - mil a mais que no ano passado - no restaurante popular do centro de abastecimento. A fartura atrai fiéis das duas tradições religiosas, reforçando o sincretismo que caracteriza a festa e fortalece sua dimensão cultural.
As comemorações começam às 7h, com uma missa no Santuário Senhor dos Passos. Em seguida, os devotos descem a Ladeira da rua Olímpio Vital até o Centro de Abastecimento. O caruru começa a ser servido a partir das 11h.
O diretor do Departamento de Feiras Livres, Cristiano Gonçalves, lembrou que a força da tradição é tão grande que nem mesmo durante a pandemia o caruru deixou de ser realizado. “Os pratos foram servidos na entrada do Centro, sem aglomeração”, relembrou.
Depois da refeição, a animação fica por conta do grupo Sambadores do Nordeste, que traz o tradicional samba de roda. Viola, pandeiros e outros instrumentos de percussão garantirão o ritmo da festa até por volta das 14h.
O caruru é ofertado pela Prefeitura de Feira de Santana, por meio das secretarias de Agricultura e de Cultura, Esporte e Lazer, com participação direta dos feirantes que ajudam a manter viva essa tradição quase cinquentenária.
A preparação do prato, feita no restaurante popular do Centro de Abastecimento, envolve quiabo, dendê, camarão seco e temperos característicos da culinária afro-brasileira, começa no dia anterior, mobilizando cozinheiras, auxiliares e voluntários que fazem parte da história da celebração. Para muitos, trabalhar no caruru é um ato de fé e de devoção.
A expectativa é de que esta edição do Caruru de Santa Bárbara consolide mais um ano de tradição, fé e integração cultural, reafirmando a importância da festa no calendário religioso e popular de Feira de Santana.
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